Meu Perfil
BRASIL, Mulher, Música, Cinema e vídeo, DANÇA e arte



Histórico
 30/10/2005 a 05/11/2005
 23/10/2005 a 29/10/2005
 16/10/2005 a 22/10/2005
 09/10/2005 a 15/10/2005
 18/09/2005 a 24/09/2005
 11/09/2005 a 17/09/2005
 04/09/2005 a 10/09/2005
 28/08/2005 a 03/09/2005
 21/08/2005 a 27/08/2005
 14/08/2005 a 20/08/2005
 07/08/2005 a 13/08/2005
 31/07/2005 a 06/08/2005
 24/07/2005 a 30/07/2005
 17/07/2005 a 23/07/2005
 10/07/2005 a 16/07/2005
 03/07/2005 a 09/07/2005
 26/06/2005 a 02/07/2005
 19/06/2005 a 25/06/2005
 12/06/2005 a 18/06/2005
 05/06/2005 a 11/06/2005
 29/05/2005 a 04/06/2005
 22/05/2005 a 28/05/2005
 15/05/2005 a 21/05/2005
 08/05/2005 a 14/05/2005
 01/05/2005 a 07/05/2005
 24/04/2005 a 30/04/2005
 10/04/2005 a 16/04/2005
 03/04/2005 a 09/04/2005
 20/03/2005 a 26/03/2005
 13/03/2005 a 19/03/2005
 06/03/2005 a 12/03/2005
 27/02/2005 a 05/03/2005
 20/02/2005 a 26/02/2005
 13/02/2005 a 19/02/2005
 06/02/2005 a 12/02/2005
 23/01/2005 a 29/01/2005
 16/01/2005 a 22/01/2005
 09/01/2005 a 15/01/2005
 02/01/2005 a 08/01/2005
 26/12/2004 a 01/01/2005
 19/12/2004 a 25/12/2004
 12/12/2004 a 18/12/2004
 05/12/2004 a 11/12/2004
 28/11/2004 a 04/12/2004
 21/11/2004 a 27/11/2004
 14/11/2004 a 20/11/2004
 07/11/2004 a 13/11/2004
 31/10/2004 a 06/11/2004
 24/10/2004 a 30/10/2004
 17/10/2004 a 23/10/2004
 10/10/2004 a 16/10/2004
 03/10/2004 a 09/10/2004
 26/09/2004 a 02/10/2004
 19/09/2004 a 25/09/2004
 12/09/2004 a 18/09/2004
 05/09/2004 a 11/09/2004
 29/08/2004 a 04/09/2004
 22/08/2004 a 28/08/2004
 15/08/2004 a 21/08/2004
 08/08/2004 a 14/08/2004
 01/08/2004 a 07/08/2004
 25/07/2004 a 31/07/2004
 18/07/2004 a 24/07/2004
 11/07/2004 a 17/07/2004
 04/07/2004 a 10/07/2004
 27/06/2004 a 03/07/2004
 20/06/2004 a 26/06/2004
 13/06/2004 a 19/06/2004
 06/06/2004 a 12/06/2004
 30/05/2004 a 05/06/2004
 23/05/2004 a 29/05/2004
 16/05/2004 a 22/05/2004


Outros sites
 Lê alegria
 Cami
 Bem me quer mal me quer
 Brenda
 Celle
 Lil
 Paty
 Coisas de nada
 Sinais de Fumaça
 Los Hermanos
 SImone Lagares - design
 Fulanas
 Tribuneiros
 Cora Ronai
 No Mínimo


 
Strawberry Fields
 

Mudei para http://euescrevoeteconto.blogspot.com .

 Escrito por Julieta às 13h48 [ ] [ envie esta mensagem ]



She dreams in colour

Waiting, watching the clock it’s four o’clock it’s got to stop

Tell him. Take no more.

She practices her speech as he opens the door she rolls over

Pretends to sleep as he looks her over.

She lies and says she’s in love with him

Can’t find a betterman (...)

She loved him, yeah... she don’t want to leave this way
She feeds him, yeah... that’s why she’ll be back again

 

Eddie Vedder em Betterman

 

Por mais horrível e frio que seja dizer: tem gente que apenas não serve. Pior é quando elas não servem MAIS. 

  

Ele fica muito bem de olhos fechados e sorriso bobo no rosto. Ótimo to watch over.

 

É bom ter o cóccix doído e roxo de novo. E melhor ainda porque o chão é de tábua, a casa é de pedra e a aula é de morrer de boa.

 

A moça não aceitou meu comprovante de estudante para o ingresso. E eu sei que vai ser programa de índio tipo U2 no autódromo. Mas se ele cantar essa aí de cima, já vai ter valido. E também Daughter. E Yellow Ledbetter. E Off He Goes. E Sometimes. E Alive. É óbvio que eles vão tocar Alive. E Black. E Why Go. E muitas mil. Putz... fudeu.

 



 Escrito por Julieta às 10h29 [ ] [ envie esta mensagem ]



“darling your head’s not right”

Algumas historinhas divididas por parágrafos.

 

Eu encontro todas as pessoas que eu digo que quero encontrar. É muito fácil. Eu chego no lugar e digo “queria encontrar fulano”. Aproximadamente cinco minutos depois o fulano aparece. Olha o perigo. A penúltima vez que isso aconteceu foi na festa do trem. E logo depois de ter encontrado quem eu queria apareceu um que eu não fazia assim tanta questão. A última vez que isso aconteceu foi ontem. Saímos do táxi lembrando de alguém tinha sido esquecido. “Devíamos ter ligado pra ele!” Ele foi a primeira pessoa que a gente encontrou. E depois eu encontrei duas pessoas que eu não fazia tanta questão assim. Será que na próxima eu vou encontrar três pessoas que eu não quero? Por via das dúvidas, parei de brincar.

 

Era quase meia noite quando o Bruno liga querendo sair. O Bruno ligar meia noite de sábado querendo sair é algo que só acontece quando a gente briga na sexta. O Bruno diz assim (em tom blasé): “eu tinha dois ingressos pro show do Strokes hoje mas nem fui...”. A amiga do Bruno do outro lado da linha (com o cd do Strokes a todo vapor no som) recolhe seu maxilar do chão e começa a xingar pra sempre o Bruno. Era quase meia noite de domingo quando abro a caixa de e-mails. A Anita enviou um e-mail dizendo que tinha dois ingressos sobrando pro Elvis Costello. As pessoas que tem dois ingressos sobrando para shows deviam ter um sistema de comunicação mais eficaz para com as pessoas que amariam ter dois ingressos não sobrando. Nesse mundo está tudo muito mal distribuído: comida, frio, homens e ingressos pro Tim Festival.

 

Não posso mais tomar milk shake. Fico passando mal e não consigo prestar atenção no show do Strokes.

 

Precisa o cara que eu não quero encontrar ser tão lindo assim?

 

 

I say the right things but act the wrong way
I like it right here but I cannot stay
I watch the TV; forget what I'm told
Well, I am too young, and they are too old
Oh, man, can't you see I'm nervous, so please
Pretend to be nice, so I can be mean
I miss the last bus, we take the next train
I try but you see, it's hard to explain

Hard to explain, The Strokes



 Escrito por Julieta às 00h08 [ ] [ envie esta mensagem ]



Náuseas

(ou sobre perder coisas)

 

Capítulo 1.

A última vez que o carro teve problemas foi semana passada. Eu estava voltando do pilates e achei que ia morrer de calor. A última vez que eu achei que ia morrer de calor foi quando trabalhava no Saara. Me livrei do Saara e o ar-condicionado do carro quebrou. Murphy à parte, tenho certeza que isso tudo é culpa da dona Laura. Dona Laura é aquela costureira que me odeia, e o ódio tem proporções que a gente não consegue imaginar. Por via das dúvidas, já amaldiçoei a dona Laura. Mas eu ia dizendo que quase morri de calor dentro do carro. Sim. Acontece que o ar-condicionado do automóvel tem vida própria: gela e esquenta quando quer. Assim mesmo: uma vez você liga e morre de frio. Uma hora depois você liga e arregaça a perna das calças, as mangas da blusa, tira o sapato, abre o vidro e reza. É claro que na concessionária autorizada o ar funciona perfeitamente bem. Pra você ver: está lá o moço da Peugeot tomando seu sorvete, dentro do carro cujo ar está supostamente enlouquecido. E o moço lá, curtindo um fresquinho. A pessoa, totalmente desmoralizada em seu figurino semi-transparente depois de alguns minutos na sauna, vai embora descrente e com a cabeça feita: vai vender o carro-barco-yellowsubmarine-sauna. Fala sério, todo mundo quer um carro multifuncional. Vai ser moleza.

 

Capítulo 2.

Clown (aquele que tirava a rosa do bolso e te chamava de borboleta). Sua casa tem uma parede amarela, outra azul, pufes laranjas e uma vitrola. A vitrola toca Gal. Mas não uma Gal qualquer, aquela Gal de 72. O cara começa a contar histórias. Fala do Waly, da briga, de não ter feito as pazes com o cara a tempo. Fala de seu cd, diz que foi distribuindo por aí e acabou ficando sem nenhum e concorda que é um absurdo não ter seu próprio cd. Mas mostra seu livro de poesia com orgulho. Deixa a menina de olhos de borboleta na sala enquanto se arruma (figurinescamente) para a festa. Descem no elevador, ele fala de como a menina é delicada. Diz que vai colocar seu nome na lista da festa. De fato põe. Ele sobe no palco, canta, grita, fala, toca, enlouquece. E a menina ali, bem em frente, impossível não notar. É quando a menina descobre que o clown namora outra pessoa. Terminado o show, ele some. Ela fica parada, imóvel, procurando com os olhos por uma explicação, alguma coisa que faça sentido. Nada. Ele desaparece. Ele clown, ela palhaça.

 

Capítulo 3.

Borboleta lembra que possui o livro que ele emprestou. Livro de poesias, escrito por ele. E lembra, ainda, que ele só tem aquele exemplar. Corrigindo: que ele só tinha aquele exemplar. Tadinho.

 

Capítulo 4.

A pessoa estaciona o carro na Lagoa. Vai pra faculdade e na volta descobre que o carro foi assaltado. Por uma bandida loira. A bandida levou seus cds e seu sapato rosa. Não gostou da saia de renda preta.  Entre os cds, Moreno +2. Eu, a Clara e Deus sabemos como foi difícil achar Moreno +2.  A pessoa volta pra casa, desole, em seu carro-sauna. A pessoa chora e agora tem certeza que vai morrer afogada. Era o que faltava: vai vender o carro.

 

Capítulo 5.

Lendo poesia.

 

Pronto, vomitei.

 

 

 

 

 

 



 Escrito por Julieta às 20h19 [ ] [ envie esta mensagem ]



Dois

Olhou pra menina e cumprimentou-a displicentemente. Não sabia exatamente de onde se conheciam, mas desconfiava que o contato fora salivar. Ela sabia bem. Ele sumiu no meio da gente animada da festa. Ela tratou de se acabar na pista. Ele não. Ela ficou com sede. Ele estava no bar. Ela pediu uma cerveja. Ele pediu seu telefone. Ela foi embora descrente. Ele ligou. Foram tomar um café. Ele, um homem. Ela, uma menina. Ele, um clown. Poeta, escritor, músico, bailarino, ator, professor, doutor, transgressor, exagerado. Ele morou em todos os bairros, passeou por todos os mundos, amou mulheres, chegou no limite, ficou nu em cena. Ela nasceu, foi pra escola quando teve idade suficiente, foi pra faculdade quando acharam que ela tinha idade suficiente e agora conta a história. Ele clown. Ela tédio.

 

“Na última vez, tinha desistido de tentar. Sem êxito. Não hesitou. Mandíbulas rígidas, contrariadas. Melancolia tímida dos que esperam. Só, desistiu. Só, caminhou livre. O céu cobrindo suas feridas. O chão esquentando seus pés. O tamanho da crosta terrestre. Números. O mar é feito de muitas gotas. Olhares perdidos. Os muros construídos por pessoas, habitados por imagens: sala de espelhos, parque de diversão, desfile de 7 de setembro: brincadeira de cabra-cego-de-olho-aberto. Foi ao lugar do encontro. Não havia combinado nada. Estava lá, sabia. Talvez não. Contou sobre as tardes de outono. Pobre outono... nunca é lembrado. Tardes translúcidas. E luz branca, calma. Sabe, o circo é um lugar estranho, as pessoas vivem sorrindo. Pensou na frieza do ar em suas narinas. Decidiu ficar assim por muito tempo. Como dois olhos brilhavam tanto, tanto mais quanto se bebia. O ar fica doce. A boca vermelha brilha. Brilha. Os desinteresses fazem fila no banheiro. Hora de seguir os letreiros. Te ver outra vez. Também. Gosto de te ver, também. O cheiro muda as cores mudam as coisas mudam o chão que muda o céu. Olhou a lua grande. Os muros acenavam mudos. A rua continuava aberta. A noite é um circo. Esqueceu o nome da cidade. Seguiu. A superfície terrestre é muito grande.”

(Ericson Pires)

 

Sentaram na livraria. Tirou do bolso uma rosa,  beijou-a e insiste em deixa-la sem graça.



 Escrito por Julieta às 20h37 [ ] [ envie esta mensagem ]



Um conflito, um nó

 

Entre todas as coisas que iam erradas, descobriu que não era só isso. Era tudo.

 

"Eu aflito e só, confuso e sem você por aqui. Assim eu sonhei mas isso eu não quis. Que diferença? O dia se fez assim."

 

Por ordens médicas, preciso dormir.  

 



 Escrito por Julieta às 22h04 [ ] [ envie esta mensagem ]



Murphy explica

A pessoa tira um quelóide da orelha direita e aparece um cisto (ou quisto?) sebáceo na orelha esquerda.

A pessoa compra um roteador wireless, o cara instala e agora não funciona nem o wireless nem o com wire.

 

A pessoa encharca os pés com a água que não para de pingar no automóvel. Primeiro era uma água escaldante, agora ela é morna e verde. O carro é um aquário e Bob Esponja é o mais novo amigo da moça que precisa de bóias para dirigir. O Procon diz que se em 30 dias úteis o problema não se resolver, a pessoa pode entrar com uma ação pra pedir um novo veículo. E lembra que o mesmo é um órgão conciliador, portanto a vitória não é garantida. Resta ainda a chance de entrar na justiça. E se tudo falhar ela tem duas opções: assumir sua nova identidade de little mermaid. Ou comprar um material de mergulho. A moça conta 16 dias úteis enquanto anuncia seu carro-barco nos classificados.

 

John e Paul tinham razão: we all live in a yellow submarine. Se não são todos, eu vivo, não resta dúvida.

 

 



 Escrito por Julieta às 23h01 [ ] [ envie esta mensagem ]



"Guarde um sonho bom pra mim"

Show do Los Hermanos não tem como ser ruim. Mas depois de 5 shows espetaculares da banda, algumas coisas mudam, a começar pela necessidade de ficar perto do palco. A dignidade aumenta quando você sai do meio do aperto e consegue um espaço para dançar, pular, respirar e ter a opção de levantar os braços no momento em que bem entender. Nas andanças para achar um ponto estratégico, algumas figurinhas que precisam ser comentadas. Number one. Usava uma roupa preta, colar de bolas branco, passava de seu peso ideal e chamava atenção por três motivos principais: seu cabelo meio dreadlocks, sua maquiagem vanguardista e duvidosa e sua capacidade inesgotável de gritar a todo pulmão por qualquer motivo. Tivesse visto a figura passeando na rua, diria ser uma mistura de fã do Bob Marley com heavy metal. Mas ao cair das luzes seus ruídos sonoros aumentaram de maneira que não deixava dúvidas: fanática pelos barbudos. Bem perto um casal. A menina estava escondida no abraço do rapaz, que beirava os 16 anos, vestia camiseta amarela, colar de contas e cabelo de caracóis bem assim tipo Dibob. Mas quando os Hermanos pisaram no palco... fãzocas. Perto dali passava um grupo de amigos. Eram 5 ou 6. Todos com cara de 13 anos recém completados. Loiros com cabelos cuidadosamente bagunçados e franjas estrategicamente caídas sobre os olhos. Estivessem passeando na rua seriam logo chamados de Backstreet Boys Cover ou N Sync maníacos. Mas dado o fato de que caminhavam cada vez mais em direção ao palco eu diria que aos primeiros acordes de “Dois Barcos” os boybands devem ter ido à loucura. Um pouco afastada, estava a que mais chamou atenção. Objeto de estudo da minha curiosidade e pessoa fadada ao estudo psíquico, a garota não tinha como passar despercebida. Saia preta, cabelo comprido, jaqueta amarrada na cintura. Batia palmas no alto ao final de cada canção, entoava os hinos Los Hermanescos de olhos fechados e pareceu entrar em êxtase com inúmeras músicas. Normal, você diria. E eu concordaria, não fosse a tal menina uma criança de 9 anos de idade. NOVE ANOS. Salve  a beleza das coisas, a democracia da música e a precocidade de alguns. Ou não.

 

Algumas observações:

Inútil Camelo cantar “O Vencedor”. O público sufoca sua voz. Idem Amarante para “Quem Sabe”. Mais inútil a platéia pedir “Pierrot”. Música chata pra burro. Camelo errando “Conversa de botas” foi lindo. “Sentimental” fica cada vez maior e melhor, um dia não vai acabar nunca mais e eu vou me emocionar até morrer. “A Flor” continua sendo... Foda.



 Escrito por Julieta às 23h21 [ ] [ envie esta mensagem ]



Sorvete de avelã devia ser considerado patrimônio da humanidade.

 Escrito por Julieta às 20h48 [ ] [ envie esta mensagem ]



Sade, Madeleine Peyroux, Joss Stone, Los Hermanos, Domenico, Coldplay, Damien Rice, Chico, Café del Mar. Algumas das melhores companhias que eu podia ter no pós-operatório.

 



 Escrito por Julieta às 16h36 [ ] [ envie esta mensagem ]



Devaneios de verão

Pensava nos top 5 dream jobs enquanto molhava a cabeça no tanque do trabalho (tinha dúvidas se aquilo ainda era uma confecção ou se tinha transformado-se numa sauna). 1. Surfista. 2. Windsurfista. 3. Kitesurfista. 4. Mergulhadora. 5. Snowboarder. Dada a impossibilidade destes visto que mar e peixe não são o seu forte e neve não é o forte do clima tropical semi árido ao qual são submetidos os cariocas, a moça começa a considerar as seguintes opções: 1. Trabalhar num frigorífico. 2. Instrutora de patinação no gelo. 3. Operadora de frescão (aquela moça que fica sentadinha lá na frente). 4. Lanterninha de cinema. 5. Treinadora da baleia Chamu.

 

Odeio o clips do Word.

 

Toda vez que meu carro quebra eu agradeço aos céus pelo fato dele andar na maioria do tempo.

 

Tem muita gente no mundo. Gente no Saara, no metrô, no ônibus, na faculdade. Quanto mais gente, mais quente. Desnecessário. Não acrescenta nada na minha vida.

 

Ainda não foi dessa vez, mas de amanhã não passa: vou morrer de calor.

 

Hoje eu só parei de funcionar. Tenho certeza.



 Escrito por Julieta às 23h53 [ ] [ envie esta mensagem ]



Fique mais

23 anos, 82 pessoas, 1 DJ, 1 aprendiz de DJ (eu), Chico Buarque botando o povo pra dançar, o bolo da Nina, 1 pescoço machucado, 1 chave de casa quebrada, uma ressaca que insiste...

 

Tem festas que deviam durar o tempo de uma vida.

 

Dizem que todo mundo rouba o coração de alguém.

 

Música do dia: A Flor - Los Hermanos.



 Escrito por Julieta às 22h23 [ ] [ envie esta mensagem ]



Quando o inverno chegar (SE o inverno chegar...)

A vingança vem em forma de ventilador. Quer irritar alguém? Compre-lhe um ventilador. Não importa o calor que se sinta, um ventilador não torna a situação mais fácil. Nem mais confortável. Muito menos mais refrescante. Estava a moça concentrada na impossível missão de não derreter. Seus pés em cima da mesa, inchados, seus dedinhos vermelhos. Suas mãos suadas, tentando segurar com firmeza a tesoura que a essa altura queria escorregar de seus dedos. A bermuda inteiramente grudada em suas nádegas e pernas. A moça já pensava num jeito de conseguir tirar sua vestimenta quando chegasse em casa. Procura mover-se o mínimo possível para não incentivar a produção de suor em seus poros esbaforidos. Toca o telefone. É a guria do sul. A guria diz que lá em Chapecó fazem 9 graus. Nove graus. Inconformada, a moça implora à sua chefe que vá à primeira loja de utensílios plásticos e compre uma piscina. Poderia cumprir todas as suas tarefas, desde que submersa em água. Era no mínimo um erro de cálculo do criador que em um estado do país fizesse 9 graus enquanto que ela desfalecia ao som do pagode da Nativa FM e do caos em forma de comércio no Saara. Era uma injustiça, na verdade. Foi quando seu chefe resolveu comprar ventiladores. A moça continuou com os pés inchados, as mãos suando, a roupa grudada. E agora tinha também o cabelo pra cima, a lente ressecada e a difícil tarefa de recolher todos os papéis e rendas e fitas de cetim que voavam pelo atelier. Não dá pra ser feliz no Saara sem ar condicionado. Ou sem ser água, pra ficar dentro da geladeira.  Calor é uma merda. Mas ventilador é sacanagem.

 

::I'd like to hire a plane.I'd see you in the morning, when the day is fresh.”

Pedido para o gênio da lâmpada: frio.



 Escrito por Julieta às 23h38 [ ] [ envie esta mensagem ]



“Avisa que é de se entregar o viver”

Felicidade é ter idéias, muitas idéias para o projeto final de faculdade, tantas que sentir-se perdida em meio a elas torna-se angustiante. Felicidade é  a relação que se cria com pessoas, daquelas que você não sabe mais onde começam e terminam seus vínculos. Felicidade é estar na mesma festa em que o Rodrigo Amarante e entender que ele é seu ídolo e diálogos com pessoas dessa espécie são humanamente inviáveis. Felicidade é metrô. E chocolate no fim do dia. É saber que tem alguém que quer te beijar e dispensar esse beijo porque você não sofre mais de carência. É saber que ele não vai te ligar, não vai aparecer, e mesmo assim conseguir manter a calma. Felicidade é encontrar seu ex-namorado e lembrar de todo carinho que existiu. É sentir-se realizada por ter vivido esse carinho intensamente. É esperar ansiosamente por um presente que vem de longe e ter a certeza de que o maior presente é o remetente em pessoa. É ter amigos. É brigadeiro. Felicidade é saber que o que se tem é suficiente. É estampar um sorriso no rosto sem qualquer motivo, porque eu tenho todas as desculpas para continuar assim. É cerveja em lata.



 Escrito por Julieta às 04h55 [ ] [ envie esta mensagem ]



Veredicto

Segundo o neuro doctor: RPG durante um ano e meio e diga adeus às dores lombares, cervicais, à escoliose, às contraturas que tomaram conta das costas desta  moça torta (até a minha cabeça é torta, tamanha é a minha tortidão), aos ombros caídos, às dores que começaram a invadir a região das nádegas devido a discos desidratados. Diz o neuro que em um ano e meio vou estar nova, com todas as vértebras e curvas fisiológicas em bom estado. Sugeriu o mesmo que a mocinha fizesse natação. Imaginem, então, esta pessoa que sou eu, vestida de maiô e toca.

 

Podem rir agora.

 

ps. "I could stay with you forever and never realize the time"



 Escrito por Julieta às 23h17 [ ] [ envie esta mensagem ]