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Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
É incrível como em um mês tantas coisas mudam na vida da gente, como ganhamos e perdemos coisas e pessoas. Perdi uma pessoa linda demais, que me trouxe muita felicidade, que me permitiu viver coisas especiais. Perdi muitas noites de sono esperando coisas que não aconteceram. Perdi 3 kg. Perdi um amor enorme e ganhei uma saudade maior ainda...
Mas ganhei outras coisas também! Muito colo, muito carinho, muitos telefonemas, muitas visitas, muitos presentes. Visita da Celle, que podia ficar muda e já ia dizer muita coisa, porque ela é um estágio avançado de mim mesma no que diz respeito às coisas do coração (e a preocupação dela com as minhas veias saltadas). Visita da Cami, quem diria, isso significou uma declaração de amizade eterna (quem conhece sabe que não exagero). Visita da Mari, outra broken- hearted e por isso ficamos vendo livros e descobrindo arte, ouvindo Diana Krall e não tocando no assunto. Visita da Clarinha lá na academia, com uma caixa de bombom junto. Colos são tantos que nem sei... meus pais, Lelê, João Caetano (ele sabe, ele só não fala porque não quer), vó Lia, amigos. Carinho idem. Telefonemas idem. Resgatei algumas pessoas que me conhecem tão bem e que não tem medo de me falar aquelas verdades mais doloridas que só um amigo bruxo e sensitivo e poeta consegue dizer. E ainda ri com ele no telefone. E lembrei o quanto a gente se divertia juntos, o quanto a gente é amigo. E ainda recebi um convite dele, pra gente ir pra minha casa em Penedo. Ri com a Manu também, aquela da mochila lilás!
Ganhei conversas daquelas em que a gente se conhece mais, daquelas que não dá vontade de acabar nunca. E falei muuuuito, eu que sempre escuto, dessa vez interrompi quem se dispôs, e olha que não foi pouca gente. Ganhei conversa com a Betina, que me deu também um livro e um bilhete que ganhou lugar fixo no meu mural - "se prestarmos atenção os dias são muito mais coloridos que preto e branco", ganhei conversa com o Tony, que apesar de me chamar de cachorra quando eu reclamo de um exercício mora no meu coração. Ganhei tardes de papo virtual com a Danusa, como nos tempos de estágio, papos no messenger com os meus ex "chefes" de estágio, que também ganharam um lugarzinho e a promessa de uma visita acompanhada de brownie, papos no messenger com o Andrew, que tá lá em Londres com saudade das filhas e ficou lendo meu inglês errado mesmo assim, papos com a Ana, que de quebra ainda fez uma massagem daquelas, papos com a Brenda, louca, que me fez rir também, papos com as meninas da Facul, mensagens de amigas que não vejo há muito tempo.
Ganhei uma segunda psicóloga, a Helena, que assim como a Lelê me liga todo dia pra saber de mim, se eu tô fazendo coisas, se eu tô comendo, se eu tô dormindo. Ganhei a Eliane, que me faz ver tantas coisas, que me lembra a toda hora que altos e baixos sempre vão existir, mas que só eu é que tenho o poder de dar mais importância pra um ou pra outro.
E hoje eu ganhei uma coisa que eu nem sei explicar... uma disposição, uma vontade... De combinar de sair com todas essas pessoas, mas de furar com elas sem culpa se bater aquele "momento edredom". De fazer aquela viagem que eu tanto queria, mas de não ter que tomar essa decisão hoje ou amanhã. De ver filmes, de ler livros, de entregar o trabalho de PAV, de ir ao cabelereiro amanhã, de comprar uma roupa nova, de comer no Joe e Leos, de reorganizar meus cds e ouvir o que eles têm a me dizer, de dançar... E hoje, a melhor coisa que eu ganhei foram os hematomas da aula de contemporâneo e uma frase da Renata (a professora), que o Tony também sempre fala: NÃO TIRA O PÉ DO CHÃO. Desculpa se não faz sentido pra vocês, mas pra mim faz muito.
"E nossa história não estará pelo avesso assim, sem final feliz/ Teremos coisas bonitas pra contar/ E até lá / Vamos viver/ Temos muito ainda por fazer/ Não olhe pra trás, apenas começamos/ O mundo começa agora/ Apenas começamos" Metal contra as nuvens – Renato Russo
Escrito por Juju às 18h45
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Era uma vez...
Eu prometi pra Manu que ia escrever alguma coisa engraçada, então nada mais justo do que falar um pouco das nossas aventuras.
A primeira vez que eu vi a Manu ela estava usando uma saia verde de pregas, uma blusa de cor duvidosa, uma mochila lilás da Little Twin Stars, um tenis (provavelmente um L A Gear com dois cadarços), óculos de grau e rabo-de-cavalo. Como eu lembro desses detalhes? Bem, a roupa era o uniforme do colégio, o óculos a acompanhou durante anos, o rabo-de-cavalo ela sempre usava e a mochila e o tenis, bem... era uma mochila lilás da Little Twin Stars e um LA Gear com 2 cadarços, essas coisas não se esquecem assim depois de 15 anos!
A gente se conheceu no Santo Agostinho e ficou amiga tão rápido e tão fácil que quando me perguntam desde quando nos conhecemos eu digo "desde sempre". E até hoje somos amigas, não nos vemos tanto, não temos mais tanto em comum, mas temos uma história daquelas que não se perde nunca e uma amizade daquelas que sobrevive a muitas coisas.
Fizemos aula de jazz juntas, de tênis, de teatro, brincamos muuuuuuito de barbie e boneca, fizemos roupa pra elas, fizemos revistas de moda, inventamos modelos e pessoas, fizemos muita cama de edredom pra dormir, andamos de patins no bosque, passamos bilhetinhos durante as aulas (Marcelle que o diga!), patinamos na pista de gelo do Pizza Hut, fomos a churrascos no Aldeia, demos uma festa chamada "Only for fun", fomos pro Picadilly com 12 anos, passamos páscoas em Petrópolis, comemos muita bala e chocolate e bolinha de queijo no Garden, fizemos teatros para nossos pais, jogamos queimado, acompanhamos a novela Tchuca e Thibau, brincamos de AFBNS (ou algo parecido), fomos em festas "americanas", lemos Capricho, gostamos do mesmo menino da turma, almoçamos no Barra Shopping e de sobremesa comemos torta na Godiva (Marcelle idem), ouvimos Roxette, fizemos um pacto de amizade debaixo da minha mesa, fomos pro colégio na Parati do Damião (ou Demion), nos mandamos cartas com adesivos e desenhos, pintamos quadros, tentamos completar o álbum da copa de 94, vimos a copa de 94 juntas, nossas mães trabalharam juntas, voltamos a estudar juntas no Bahiense, fomos pra Penedo com aquele bando de loucos, enfim... são tantas coisas e tantas histórias que fica impossível escrever sobre todas.
Às vezes bate uma saudade, das coisas não serem mais daquele jeito, saudade de comer o bolo de quadradinho da Guida antes de dormir, daquela casa de Petrópolis que guarda tantas risadas, saudade de achar que as coisas seriam assim pra sempre! Mas olha só quantas coisas eu ganhei... Só de Ter podido aproveitar essa amizade tão intensamente! Depois de 15 anos eu ligo pra Manu, a gente fica horas no telefone, combina de se ver (e não se vê nunca!) e parece que ainda somos duas garotinhas. É aquela sensação de que pra algumas pessoas o tempo não passa, que de uma certa forma a gente continua se conhecendo tão bem, aquela sensação de que por mais que estejamos vivendo vidas diferentes tem um cordão que não se rompe nunca. Aquela sensação que se tem com pessoas que fazem parte de nós, porque foram com elas que formamos nossa personalidade.
Lembrar dessas coisas é sempre uma ótima desculpa pra sorrir. Ou melhor, pra gargalhar sozinha!
Só pra terminar, uma frase, ou melhor, duas, uma pra Manu e outra pra mim mesma.
"A VIDA É UM SUTIÃ, META OS PEITOS!"
"It seems to me now that the plain state of being human is dramatics enough for anyone; you don’t need to be a heroin addict or a performance poet to experience extremity. You just have to love someone" Nick Hornby em "How to be good"
Escrito por Juju às 13h34
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Quero ser Martha Medeiros
Por mais que eu tente, tem horas que não consigo traduzir em palavras. E tem gente que faz isso tão bem que dá raiva, sabe aquela coisa de essa música é tão minha que eu nem sei como não fui eu quem escreveu?! Pois é, a Martha Medeiros é assim, eu tenho certeza que ela me conhece melhor do que muitas pessoas. Tenho certeza que ela instalou câmeras por todo lugar que eu passo, inclusive que ele implantou um chip no meu cérebro e só escreve aquilo tudo que eu penso e não consigo organizar. Então é ela que escreve hoje.
Que os demônios levem pro inferno aquele que bate à nossa porta bem no meio da nossa fossa, aquele que telefona bem no auge das nossas lágrimas, aquele que nos puxa para uma festa obrigatória. Malditos todos aqueles com quem não podemos compartilhar nossa dor, e nos obrigam a fingir que nada está se passando dentro da gente.
Disfarçar um sofrimento é trabalho de Hércules. Um prêmio para todos aqueles que conseguem fazer com que os outros não percebam sua falta de ânimo nos momentos em que ânimo é tudo o que esperam de nós: nas ceias de Natal, jantares em família, reuniões de trabalho. Você não quer estar ali, quer estar em Marte, quer estar em qualquer lugar onde não seja obrigado a sorrir.
Há sempre o momento de pedir ajuda, de se abrir, de tentar sair do buraco. Mas, antes, é imprescindível passar por uma certa reclusão. Fechar-se em si, reconhecer a dor e aprender com ela. Enfrentá-la sem atuações. Deixar ela escapar pelo nariz, pelos olhos, deixar ela vazar pelo corpo todo, sem pudores. Assim como protegemos nossa felicidade, temos também que proteger nossa infelicidade. Não há nada mais desgastante do que uma alegria forçada. Se você está infeliz, recolha-se, não suba ao palco. Disfarçar a dor é dor ainda maior.
Obs: uma das melhores coisas que li nos últimos tempos foi uma frase de um ímã desses de cortiça " Pare o mundo, quero sair! "
Obs 2: tenho escutado You oughta know da Alanis over and over, o cd vai furar, fato. Eu poderia escrever a letra toda aqui, porque é a perfeita representação de tristeza e raiva. Mas já tem tanta frase de terceiros aqui que daqui a pouco eu vou Ter problemas com a Lei de Direitos autorais...
Escrito por Juju às 13h07
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Espaço
Me sinto numa esteira, eu corro, corro e não saio do lugar...
Escrito por Juju às 23h19
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# 41
Alguém me dá uma arma pra eu matar essa saudade dentro de mim????
E pra eu matar também o Roberto Caldas, ele quer que eu entregue um trabalho gigante pra quarta-feira. Será que ele não entende nada???
" I wanted to stay/ I wanted to play/ I wanted to love you (...) Why won't you ever be glad/ It melts into wonder? I came in praying for you/ Why won't run into the rain and play? And let tears splash all over you" Dave Mathews
Escrito por Juju às 16h14
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1X0
Hoje no fim do dia fui dar uma volta na praia, com uma pessoa muito especial.
Eu não sei porque mas dar voltas na praia, sentar na areia e ver o por-do-sol me dá um cenário tão melancólico... Mas enfim, fui com ela e tivemos uma conversa tão boa, daquelas que faz nos sentir melhores. Melhores mesmo, porque tem algumas situações na vida em que por mais que as pessoas queiram nos consolar não dá, não adianta e não serve, não é nada do que a gente quer escutar.
Mas ela falou coisas tão lindas, tão verdadeiras, que me fizeram bem, me senti mais pessoa, mais Julia, depois de dias em que eu tava me sentindo nem sei o que. Eu sei que não vai passar assim, mas de uma certa forma essa conversa conseguiu acalmar um pouco o meu coração. Pode ser que dure só até eu deitar a cabeça no travesseiro e a saudade voltar, mas já comecei a ver a luz no fim do túnel. Nesse caso, a luz no fim do dia.
O por-do-sol estava lindo, como sempre.
E eu comi meia pizza. Ponto pra mim!
Escrito por Juju às 20h25
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With a little help from my friends
Isso tá ficando com clima de funeral, eu sei...
Um dia desses eu comecei a reler umas agendas e diários e anotações velhas pra ver como em tão pouco tempo a gente muda. E em função de uma única pessoa, em vários momentos eu esqueci de tanta gente, é horrível reconhecer isso, mas todo mundo tem que passar por isso pra aprender. Deixei de fazer tantas coisas que eu gosto, de ver tantas pessoas que eu amo. Não me arrependo, não. Foi a única maneira de ver como sou capaz de me dar e me entregar por inteiro às coisas nas quais acredito.
Acho que fui relembrar essas coisas pra ter certeza de que tudo vai ficar bem, de que eu me divertia tanto, de que eu nunca estive e nunca vou estar sozinha. Por enquanto o buraco ainda é grande, e a pessoa que pode fechá-lo não está aqui por mim. A merda é ver que é justamente com essa pessoa que eu queria estar agora...
Enfim, eu revivi lembranças e coisas inesquecíveis, dei gargalhadas sozinha em casa, pensando em como eu me divirto com tão pouco. E as melhores coisas sempre acontecem quando a gente menos espera, naqueles dias em que a gente tem que fazer esforço pra sair de casa, naqueles dias em que a gente não tá nem um pouco a fim de botar uma roupa pra encontrar os amigos num bar.
Eu sei que daqui a pouco vou estar sorrindo de novo, tomando uma cerveja no Shenanigans, encontrando todo mundo no Baixo, comendo pizza, crepe e todas as besteiras da vida, vendo milhões de filmes de países que eu nem ouvi falar, lendo o livro que eu deixei pela metade, descobrindo novas músicas, ensaiando e ficando toda roxa na aula de contemporâneo, tomando caldo na aula de surfe, planejando almoços e viagens que nunca acontecem, conhecendo gente engraçada e me sentindo feliz e forte e viva.
A pergunta é: quando é que eu vou gostar de fazer isso tudo de novo?
"E eu sei porque você fugiu, mas não consigo entender" Renato Russo
Escrito por Juju às 12h09
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