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Auto
Ela tem os olhos sempre brilhando. Eles são assim, cintilantes quando algo muito bom acontece, quando aquele sonho que ela tanto queria finalmente vira realidade. Eles também cintilam quando algo a aborrece ou a machuca, afinal ela sente a felicidade e a tristeza com a mesma intensidade. Ela é assim, só consegue ser intensa, mergulha nas profundezas do que está vivendo. Por isso deve ser tão dramática. Até nos momentos de tédio, aquela faísca sempre está por ali, odiando com força o marasmo em que sua vida foi se transformar.
Ela tem os cabelos sempre presos. Reclama que seus cachos amassam durante a noite, então os amarra assim que abre os olhos, ainda com sono, procurando o controle pra desligar o som que a desperta. Ela tem as unhas sempre quebradas, de tanto que crescem e no meio do caminho perdem a força. Às vezes ela também perde a força.
Ela tem sempre uma música tocando, no carro, no quarto, ou na cabeça mesmo, que essa nunca desliga. Lá dentro tem sempre uma frase, um refrão, um grito ou uma melodia que fica martelando o dia todo, acalmando os nervos. Ela tem a capacidade de abstrair qualquer coisa à sua volta e se concentrar só nessa música, até que começa a escrever a letra num pedaço qualquer de papel.
Ela tem uma mania de achar que seu dia tem sempre que Ter alguma coisa pra ser lembrada antes de dormir: uma conversa, um aprendizado, um encontro, alguma coisa gostosa que ela comeu, um simples bom dia. É o único jeito que ela consegue Ter certeza que o dia não foi em vão e de que o próximo que virá também não vai ser.
Ela tem uma impaciência constante: com o sinal que não abre, com o computador que congela, com o cobrador do estacionamento, com as palavras que vai digitando errado, com as coisas que não acontecem, com as pessoas que não entendem. E principalmente com as pessoas que não sentem.
Ela tem as mãos geladas de frio, os pés balançando de ansiedade, os lábios machucados das peles que arranca com os dentes, pressa em que o tempo a leve pra frente, pra longe, pra qualquer lugar onde não sinta mais essa angústia.
Ela tem sempre esperança. Sonhadora, a nossa menina. Ela tem um mundo só dela, onde ninguém pode entrar. Onde só entram os sonhos e as vontades, e os medos que só ela sente.
Menina, abre isso tudo. Transforme seus sonhos, suas vontades, encare seus medos. Ah, é verdade... Se abrir tudo isso pode perder a esperança. Porque sempre vão existir aquelas pessoas que tanto a fazem chorar. As que não sentem. É melhor então continuar cantando, até que o tempo a leve pra onde ela tanto precisa chegar.
"Como é estranha a natureza morta dos que não tem dor / Como é esteril a certeza de quem vive sem amor" Cazuza em Completamente Blue
Escrito por Juju às 22h23
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Hipóteses
Se eu fosse uma cor, seria laranja; se eu fosse um livro, seria "High Fidelity"; se eu fosse um ritmo, bossa-nova; se eu fosse um violão, o do Rodrigo Amarante; se eu fosse uma voz de homem, Djavan, e de mulher, Marisa Monte; se eu fosse um olhar, apaixonado; se eu fosse uma flor, tulipa. Se eu fosse um letrista seria o Cazuza; se eu fosse um cantor, Renato Russo; se eu fosse cantora, seria a Fiona Apple, e se eu fosse uma banda, The Beatles. Se eu fosse irreverência, Cássia Eller. Se eu fosse um filme seria "Sociedade dos Poetas Mortos"; se eu fosse uma trilogia "O Poderoso Chefão"; Se eu fosse uma peça "A Máquina"; se eu fosse uma comédia "Irma Vap", se eu fosse um musical "Cazas de Cazuza". Se eu fosse um escriotr seria o Ruy Castro; se eu fosse uma escritora, Martha Medeiros; se eu fosse um cronista seria o Jabor; se eu fosse perversão, Nelson Rodrigues; se eu fosse um poeta, Vinícius. Se eu fosse uma roupa, jeans; se eu fosse um tecido, moleton; se eu fosse uma bebida seria água; se eu fosse uma comida seria chocolate e se eu fosse uma fruta seria manga. Se eu fosse uma praia, Fernando de Noronha; se eu fosse uma pop star, Madonna; se eu fosse uma cidade Londres; se eu fosse um artista plástico, Rubens Gerchman. Se eu fosse uma pintura seria uma do Basquiat; se eu fosse um computador seria um MacIntosh; se eu fosse um diretor, Woody Allen. Se eu fosse suspense, Hitchcock; se eu fosse estilo, Audrey Hepburn; se eu fosse sexy, Johnny Depp; se eu fosse um fotógrafo seria o Mário Testino. Se eu fosse uma revista seria Viagem; se eu fosse um estilista, Vivienne Westwood; se eu fosse uma paisagem, Lagoa; se eu fosse um parque seria o Parque Lage; se eu fosse um bairro, Horto. Se eu fosse um instrumento musical, Sax; se eu fosse um instrumentista, Chet Baker; se eu fosse um animal, cachorro; se eu fosse um som seria o de chuva caindo. Se eu fosse líquida, cachoeira; se eu fosse ar, vento; se eu fosse sólida areia. Se eu fosse uma música, não saberia. Se eu fosse mais ocupada, não teria escrito tudo isso; e se eu fosse mais eu não teria tanta preguiça.
"This thing about looking for someone LESS DIFFERENT... it only worked, he realised, if you were convinced that being you wasn't so bad in the first place." Nick Hornby em About a Boy
Escrito por Juju às 11h25
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Enquete
Em homenagem ao filme do Cazuza, que todos queremos ver, um trecho de uma música que eu amo (agora mais ainda)
"Obrigado por ter se mandado/ Ter me condenado a tanta liberdade/ Obrigado por eu ter te amado/ Com a fidelidade de um bicho amestrado/ Pelos dias de cão, muito obrigado/ PELA FRASE FEITA/ Por esculhambar meu coração antiquado e careta"
E uma pergunta que não quer calar: o que eu quero ser quando eu crescer? Mandem suas sugestões, e não pensem que estou brincando...
Escrito por Juju às 14h27
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Festa na Floresta
Ontem foi um dia engraçado, eu fui derrotada de tarde, queria ficar aqui me desesperando, mas tinha combinado de ver o último dia da peça de uma amiga. Então lá fui eu, para o shopping da Gávea, enfrentar aquele bando de criancinhas com cheiro de bala, gritando "ela tá ali, ali, ali, atrás..." ou "ali, ali, ela foi pra lá..." e chorando e gritando cada vez que o caçador aparecia e cantando as músicas e batendo palmas, ufa! No fim das contas eu vi que a mais criança de todas era eu, que queria fazer as mesmas coisas que elas estavam fazendo! E a Tamara estava ótima no papel de joaninha!
No caminho de volta ouvi a frase que fez mais sentido no fim de semana inteiro "a tia disse que se eu sentar com perna de chinês eu não vou amassar o book". Dita pelo Kiki, a criança mais linda que eu conheço, que brinca de carrinho e de catar canudo comigo na praia.
Depois da matinê fui ver Tróia, com a Betina, o irmão dela e a Luíza. A Betina e o irmão acabam de entrar na minha lista das pessoas mais engraçadas do mundo. O filme virou uma comédia, e eu saí do cinema às gargalhadas e pensando que é por causa da sétima arte que nós, mulheres, acreditamos tanto em homens perfeitos e amor verdadeiro. Será?! Não sei, só sei que o filme só valeu a pena pelas companhias. Se você já viu ET, Gladiador, Sr dos Anéis ou qualquer outro filme com efeitos especiais nem perca tempo. Se quiser ver o Brad Pitt (que devia se chamar BREAD Pitt) alugue Snatch, o melhor filme dele.
E a derrota, bem, acho que no fim das contas eu venci mais esse round.
Agora vou vencer mais um, tenho que fazer todas as placas de sinalização do posto de gasolina, desenhos técnicos, roupa dos caras que trabalham no posto, terminar a revista e consertar os erros das páginas já impressas, tenho alongamento de tarde, depois aula da Be e no fim ensaio do Tony, ele acha que a gente vai dançar até as 10 e meia da noite. Acho melhor eu tomar umas vitaminas...
Música do dia: Flying away – Smoke City (ouçam)
OBS: eu vi o trailer do filme do Cazuza e lembrei que sempre quis ter um cão com esse nome.
Escrito por Juju às 11h06
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O que que eu tô fazendo aqui?
São 1 e pouco da madrugada, eu moro numa cidade grande, devia estar por aí me divertindo em vez de estar aqui escrevendo. Eu fui ver o filme do Walter Salles, lindo lindo. Ele é lindo, o filme idem e o Gael Garcia é uma coisinha. Estava em ótimas companhias, a Dá e a Mari, e de lá fomos encontrar uns amigos da Dá no Dom Escracho. E foi então que eu comecei a me perguntar... Pessoas estranhas, assuntos estranhos, nem chopp me deu vontade de beber. Peguei meu carro e vim embora, a Celle ligou dizendo que tava passando o show do Ben Harper na tv, eu cheguei com a esperança de ver um pouquinho e nada, já tinha acabado.
E agora eu tô aqui, de moleton da cabeça aos pés, congelando, pensando que era melhor ter ficado parada do que estar com a impressão de que eu dei 20 passos pra trás... Tô com saudade, tô puta, tô achando uma injustiça acabar pra um e pro outro não, tô cheia de olheira, minhas calças estão caindo, com uma vontade de ir atrás dele. Eu sei que não vai adiantar nada, mas enfim... O que eu mais queria agora era estar com ele do meu lado. E dói saber que ele não tá nem um pouco a fim.
"Sometimes my mind don’t shake and shift / But most of the time it does / And I get to the place where I’m begging for a lift / Or I’ll drown in the wonders and the was / And I’ll be your girl, if you say it’s a gift / And you give me some more of your drugs / Yeah, I’ll be your pet, if you just tell me it’s a gift / Cuz I’m tired of whys, choking on whys / Just need a little because, because" Fiona Apple em Fast as you can
Escrito por Juju às 01h40
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