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Declarações
Não não não não. Eu não estou aqui pra falar de sentimentalidades. Não vou contar nada a respeito do meu dia dos namorados, até porque o namorado virou ex. Também não vou protestar contra essa data, que todos nós sabemos, é uma pura jogada de marketing (o que não é?). E também não vou propor a criação de um dia dos solteiros, porque, modéstia à parte, I’m better than that! Hoje eu tô com vontade de escrever tantas coisas... Vou ficar só com dois temas e fazer minha homenagem a dois poetas.
O primeiro, bem... o autor de coisas como "eu vou pagar a conta do analista pra nunca mais ter que saber quem eu sou" , "eu vejo um museu de grandes novidades", "me deixem amolar e esmurrar a faca cega, cega da paixão/ e dar tiros a esmo e ferir o mesmo cego coração", "todo mundo tem um ponto fraco, você é o meu por que não?" e mil outros versos que estremecem qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade. O autor de Todo amor que houver nessa vida, Mal nenhum, Preciso dizer que te amo, Vida Louca, Blues da Piedade e mais um monte de canções que arrepiam a espinha. No meio do filme ontem eu quis levantar e cantar alto, gritar como ele fazia. Mas acho que o mais bonito que ele escreveu não está em música alguma, e sim em seu diário:
Olhar o mundo com a coragem do cego / Ler da tua boca as palavras com a atenção do surdo / Falar com os olhos e as mãos como fazem os mudos Cazuza 1978
Eu só não entendo porque pessoas assim não podem ser imortais...
O segundo é o Bruno, meu amigo mais amigo que faz aniversário hoje.
Nos conhecemos no Bahiense, em meados de 99 e bla bla bla. Não vou ficar contando essa história. Só conto que ficamos muito amigos. Amigos de colégio, de passar recreios conversando e rindo, de ficar passando bilhete no meio da aula, de "Juju, vê aí se tá bom" e me entregar uma folha de caderno com uma nova poesia que ele escreveu, de dançar forró no intervalo da aula, no meio da sala, porque ele queria treinar um passo novo. Amigos de conversas no chalé de Penedo, de dormir na rede na noite seguinte e ouvi-lo pedindo pelo amor de Deus pra eu parar de rir, de consolos e conselhos a respeito do sexo oposto, de conversas de horas no telefone. Amigos de fim de festa de formatura, quando eu o encontrei jogado numa mesa e o levei pra casa nem sei como, de dia seguinte de festa de formatura e perguntas tipo "Juju, o que aconteceu? Cadê meu terno? Como eu cheguei em casa? Você pegou alguém????". Amigos de chopp no baixo, de e-mails durante as nossas viagens, de Joatinga, de almoços no shopping da Gávea. Amigos de Legião Urbana, de telefonemas desencontrados, de morrer de saudade um do outro, de não se ver nunca e mesmo assim ficar tudo bem, de recados malcriados tipo "me liga, porra", de "você sabe que eu te amo", de querer muuuuito ir pra Penedo de novo. Amigos de pontos de vista, de valores, de filmes ("COMO ASSIM você nunca viu um filme do Kubrick???" foi a última dele pra mim e "COMO ASSIM você nunca viu Tiros na Broadway???", foi a minha pra ele). Amigos de nunca ter tomado aquele porre juntos que há anos nos prometemos...
Sabe aquele tipo de amigo que te deixa voar alto quando você precisa? E que te puxa pro chão com uma sinceridade daquelas que chega a doer, mas que você precisa ouvir? E ele consegue fazer isso de um jeito que não me machuca. Sabe aquele tipo de amigo que demora dias pra retornar suas ligações e que só liga porque você deixou um recado chorando dizendo que precisa dele? Isso mesmo que você tenha se tornado uma pessoa não muito presente na vida dele? Enfim... aquele tipo raro de amigo que não importa a distância e a circunstância, importa que o sentimento que une essas duas pessoas é verdadeiro e sólido.
Eu tenho tanta sorte de ter amigos assim que às vezes nem me dou conta. Hoje eu queria dar parabéns pra esse cara, porque ele é lindo, porque ele olha nos olhos, porque ele me deixa feliz, porque ele merece todas as coisas boas que essa vida tem pra nos dar, porque eu quero. E porque eu não precisaria de motivo nenhum pra isso, mas como hoje é o dia dele, desejo tudo em dobro!
Escrito por Juju às 12h24
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Clichê 02
CD R para gravar o trabalho de faculdade: R$ 1,50 (vezes todos os cds que foram gastos = R$ 10,00 aprox.)
Estacionamento: R$ 1,00
Impressão colorida de 14 páginas A4 em papel couché 150g: R$ 98,00
Gastar aproximadamente 1 mês para concluir o trabalho, agüentar as críticas e pentelhações da Isabella Muniz duas vezes por semana, ficar horas a fio na frente do computador diagramando textos e imagens para que tudo caiba em harmonia numa página de revista, rever e checar os arquivos muitas vezes, sonhar com o trabalho e lembrar que ficou faltando uma parte, acordar cedo no dia seguinte pra inserir aquela matéria que ficou de fora, fechar a revista pra gráfica imprimir e TCHÃ NÃ... buscar o querido e ver que sua logomarca aplicada em TODAS as páginas da revista ficou reduzida a uma sujeira que mede aproximadamente 1 X 3 mm...
Sai caro, muuuuuuuuito caro...
Pelo menos eu tenho ingressos pro filme do Cazuza hoje às 22h no Leblon!!!!!!!!!!!!!
Escrito por Juju às 17h32
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Clichê 01
Perdoem-me a falta de originalidade, mas apenas essa frase pode traduzir a noite de ontem:
"FESTA ESTRANHA COM GENTE ESQUISITA, eu não tô legal, não aguento mais birita"
Nem perguntem...
Escrito por Juju às 16h38
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Ah se eu pudesse...
Uma vez alguém disse um troço que eu achei o máximo. O máximo porque ficava na cara que quem dissesse isso estava com muita, muita raiva de outra pessoa, mas não a ponto de matá-la. Porque matar mesmo, não sei se teria coragem. Enfim, o que esse sujeito disse é que se pudesse mandava fulano pro vulcão. Então o vulcão explode, fulano morre e eu não fico culpada de ter matado alguém. Afinal eu só mandei alguém pro vulcão, certo? Então hoje eu tenho uma pequena lista dos passageiros com vaga garantida no próximo ônibus que os levará para o eterno desconhecido.
São eles:
- A Isabella Muniz, minha querida professora de computação gráfica. Como disse a Gabi hoje, se mostrássemos o trabalho 10 vezes pra ela, 10 vezes ela ia achar cem problemas e eu e a Gabi nunca mais, nunca mais MESMO, íamos sair da frente do computador. Como nós duas não merecemos isso então, so sorry teacher, sua cadeira é a número 1.
- Horcades, porque ele é grosso, feio, metido e passa trabalhos absurdos que me fazem tomar antiinflamatório pra dor no pescoço. E na cadeira ao lado Aldemar, porque ele é péssimo, feio, faz pouco caso dos alunos e passa trabalhos absurdos que ninguém, NINGUÉM merece fazer.
- O cara do help desk (ou atrapalha desk, para os íntimos), por razões óbvias.
- O cara da xerox, idem.
- O cobrador do vaga certa, porque eu odeio cobradores de vaga certa e todos merecem ir pro vulcão.
- O cara que determinou que imagens boas são aquelas de no mínimo 300 dpi, sem ao menos perguntar se o resto da população concordava.
- O cara que esqueceu de botar um simples comando quando estava criando o quark (control z)
- O meu computador, que não tem um processador decente, um hd decente e, mais importante, não tem memória suficiente pra rodar Quark, Photoshop, Word e msn juntos, portanto eu abro e fecho coisas e eventualmente fecho a coisa errada sem salvar nada...
- O cara que construiu o sistema elétrico do meu carro, porque é óbvio que ele tava de mau humor nesse dia e agora eu tô pensando num jeito de acoplar lampiões no meu Palio.
- E por fim, mas não menos importante, todos os casais de namorados que eu encontrar pela frente, sejam hetero ou homo, por culpa dessas pessoas Sábado eu não vou poder ir ao cinema nem jantar fora e acho que nem sair de casa... Por segurança eu vou ficar aqui bem quietinha, terminando meu trabalho de Pav. Assim eu não preciso presenciar cenas melosas e correr o risco de ficar triste de novo.
Ouvindo a trilha sonora de Magnolia. Alguém já viu esse filme?!
Escrito por Juju às 14h11
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Muito exausta
Já começo a semana com um cansaço inversamente proporcional à minha paciência, que escapa por entre os dedos a qualquer sinal de que algo vai dar errado. E o cansaço aumenta à medida que a minha intuição se confirma. Cansada de estudar numa faculdade que se pretende séria, onde alguns professores tomam uma postura pior que a dos alunos. Então cansada de me acomodar à situação eu resolvi reclamar e levar as minhas críticas adiante, só para então ficar cansada de não ver mudanças. E tento me acomodar de novo à situação, e me canso, e bato de frente, e tudo se repete.
Cansada de chorar eu resolvo sair, me distrair, então me dá uma exaustão ligar pra tantas pessoas e ouvir não, hoje não posso. Então me distraio com o que tenho, rio e fico numa boa, até começar tudo de novo, a saudade, a tristeza. Me canso disso tudo e resolvo ficar bem, bonita, mas hoje não posso. Choro, rio, idem, idem.
Cansada de entender, cansada de ouvir o que todo mundo tem pra me falar. Cansada de não saber o que eu quero, de ouvir que sou muito nova, que tenho tempo, que vai passar. Cansada de querer viajar e não querer, de querer ficar sozinha e não querer, de saber que vai passar e não passar. Cansada de tantos paradoxos.
Cansada de não ter coragem pra fazer as coisas que eu quero, cansada de ficar com medo do julgamento dos outros, cansada de pensar tanto tanto e não conseguir resolver as coisas dentro de mim. Cansada de estar sem aquela pessoa, cansada da imaturidade daquela pessoa, cansada das amigas que não são amigas, das aulas onde não aprendo, das luzes que não acendem no meu carro, de morrer de sono e não conseguir dormir, dos anúncios de dia dos namorados, de faltam 15 dias para a tocha olímpica.
Que se exploda tudo isso, eu cansei. Cansei da indiferença das pessoas, cansei de gente que não sabe lidar comigo, cansei de consolos baratos e cansei de acreditar que o tempo é o melhor remédio. Agora eu quero ser egoísta, muito egoísta. E quando a minha disposição voltar eu espero ter aprendido que tem certos momentos que tenho que quebrar a cara, chegar ao meu limite, esgotar todas as minhas possibilidades, tentar com todas as minhas forças.
Eu só não cansei de achar que ainda pode dar certo.
E também não cansei de achar que posso ter cabelo curto sem ficar parecendo um cogumelo.
"E você diz que tudo terminou mas qualquer um pode ver, que só terminou pra você." Renato Russo em Os Barcos
Escrito por Juju às 12h31
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