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Espelho
Eu sou assim, muito chata e esquecida. Esqueço tudo, quem ligou, porque que saí do meu quarto e fui até a sala e me acho uma idiota por causa disso. Anoto um recado e esqueço de entregar, às vezes lembro, mas só às vezes. Só tenho memória pra detalhes inúteis que pra mim são essenciais. Lembro a roupa que eu estava usando a primeira vez que saí com o Junior, a segunda vez que saí com o Junior, a terceira a quarta e por aí vai. Lembro também de músicas,o tempo todo. Me encontro em situações que poderia citar uma música inteira pra pessoa com quem estou conversando. Poderia citar frases, refrões sem dar maiores explicações de onde tirei aquilo tudo, mas se a outra pessoa não tiver a mais vaga idéia do que estou falando com certeza vou ficar vermelha e gaguejar, então apenas converso, e guardo aquela música pra mais tarde escrever no caderno. Morro de vergonha de apresentar trabalhos na frente de todo mundo por uma série de razões, a mais convincente é que minha aparência física muda. Eu fico roxa, suo, começo a comer os cantos da boca, a gaguejar, a errar qualquer concordância verbal e começo a procurar um buraco no chão, ou uma porta de saída. E sou tão exigente e crítica com tudo que raramente gosto de um trabalho que eu faço, começo logo apontando os defeitos, os erros e coisas que só eu consigo ver. Tenho horror do meu portfolio, acho quase tudo nele uma bosta, exceto um único trabalho que fiz com a Camila. É, além de tudo eu sou implicante e cri-cri. Se vejo um cara usando meias pretas já me dá coceira, pochete e bermuda jeans também são dois acessórios que condeno ardentemente e já nem quero conhecer uma pessoa que use essas coisas. Uma vez me distraí e conheci um cara que usava pochete e me apaixonei muito seriamente por ele. E, sacana como sou, ri bastante quando na mesma noite a pochete dele foi roubada. Uma coisa que você tem que saber: eu me distraio e me apaixono todo dia. Eu vou cantando no carro e perco a rua que tinha que entrar, então tenho que dar uma volta, e não acho mais meu caminho. Por isso tenho um mapa no carro, mas não sei ler mapas muito bem, então continuo perdida na cidade. E me apaixono mesmo, quantos homens da minha vida já tive, quantas vezes já chorei por perder homens da minha vida, e quantos ainda virão. Foi assim com o cara da pochete, com o cara do colégio, com aquele outro, com o ex-namorado então, ainda é um pouco. Eu me apaixonava por ele todo dia, cada vez que ele sorria pra mim, me olhava com aquela carinha linda, ou mesmo porque sabia que ele existia. Uma confissão: eu sou romântica e ingênua. Muuuuuuito romântica. Descobri isso agora. Adoro receber flores e carinho, e não vivo mais sem uma declaração de amor de vez em quando. Isso me alimenta quase tanto como chocolate. Eu sou chocólatra, fique sabendo. E muito preguiçosa, tão preguiçosa que chega a ser irritante. Tenho idéias que não uso, tenho vontades que não faço, tenho sonhos que não realizo, por pura preguiça, talvez meu pior defeito. Tenho defeitos horríveis que tento esconder, mas que sempre aparecem por causa da minha distração com tudo. Sou colecionadora de coisas, catálogos de moda, ingressos de filmes, caixinhas de fósforo, revistas e uma tralha que não consigo organizar. Coleciono amigos também, gosto muito de pessoas e guardo as que tenho com muito cuidado. Adoro ficar sozinha, passar muito tempo comigo, se um dia eu desaparecer é porque estou me conhecendo mais e posso passar vários dias assim. Não se preocupe. Sou bastante desorganizada, meu quarto é uma bagunça. Minhas gavetas também. E sou consumista, meus sapatos não cabem mais no meu armário. E assumo, sou antipática. E adoro ser assim, faço questão de manter minha antipatia até o fim dos dias. Isso me dá uma liberdade enorme de não falar com pessoas que não gosto. Sou adepta da sinceridade, por isso a antipatia, não tenho que ser legal com gente que não me agrada. No fim das contas eu sempre faço amigos. Sou velha quase sempre. Dispenso festas e badalações por um bom filme, sou capaz de passar o fim de semana rodeada de DVDs, estatelada no sofá. Sou filme-maníaca, não esqueça disso. Sou sonhadora também, demais. Imagino coisas, conversas, diálogos que nunca vão acontecer. Isso acontece antes de dormir, é a hora em que não consigo parar de pensar em tudo. Levanto mil vezes antes de conseguir finalmente fechar os olhos, pra separar coisas que tenho que levar no dia seguinte, pra anotar algo importante que não posso esquecer, pra escrever algo que pode ser o começo de um texto qualquer, e então deito a cabeça no travesseiro. E boa noite. Sou dorminhoca pra caramba quando não estou sob tensão emocional. Durmo muito, horas e horas, oito pra mim não são suficiente. E escrevo também, tenho tantos cadernos e agendas e diários e parece que nunca acaba, as palavras vão saindo saindo saindo e quando vejo to escrevendo sem parar. Eu me empolgo às vezes. Viajo quase sempre... Eu sou assim. Queria ser mais.
Ouvindo Fiona Apple. Chovendo lá fora.
Escrito por Juju às 15h49
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Espelho embaçado
Eu tô tão chata e repetitiva e insegura que nesse momento eu poderia ser um personagem de qualquer filme do Woody Allen.
A propósito, essa semana eu vi Laranja Mecânica, do Kubrick. Genial. Eu podia morar naquelas casas.
Caramba, será que eu sou assim e não reparei até hoje????
"Vou andando devagar / Olhando para um lado / para o outro / rindo ali, pensando aqui / de repente / vejo você na minha frente / e até pararia de andar / se você não fosse / estacionamento proibido " Martha Medeiros
Escrito por Juju às 16h25
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Uma semana sem computador e vocês não sabem o estrago que isso me fez...São tantos assuntos e bobagens brigando pra sair da minha cabeça, fica ate difícil começar, mas vamos do zero.
O problema do computador começou com a placa de vídeo, o que rapidamente virou motivo pra afetar a placa mãe, o processador e ate o Windows. O resultado foi este. Um Pentium 4 2.0 Gh, 512 de memória, placa mãe recém-nascida, windows XP e duas entradas USB frontais para câmera digital. Não que eu tenha uma, mas se a placa de vídeo gerou um filho tão veloz e moderno, então vamos ver o que esse USB vai conseguir... Resultado maior disso? Eu sem minha terapia blogiana, desesperada para por as mãos num mouse, cheia de coisas pra contar e fantasmas pra espantar.
Depois de um encontro e uma crise fui encontrar refugio em mim mesma e cheguei a conclusão de que preciso de mais um tempo pra mim, mais um CD na prateleira e mais um livro de cabeceira. O CD e da Bebel, que ate hoje não sei se amo ou odeio, mas enquanto não resolvo continuo escutando. O livro e da Elisa Lucinda, que cara... me apaixonei muito seriamente por ela. Elisa Lucinda e mulher poeta daquelas que arrepiam, daquelas que nos fazem querer sair por ai cantando e dançando, apostando corrida com o vento, pulando e sorrindo que nem criança. Perdão a falta de jeito, mas Elisa Lucinda eh foda!
Assim que conseguir configurar meu teclado eu volto, quero contar do Dança em Transito, do encontro desastroso, de coisas que descobri a respeito de mim mesma, do ultimo capitulo de Friends, que me deixou órfã de televisão e de bons finais, da festa da Betina, que e amanha, do show do Los Hermanos, que e semana que vem e de tantas outras coisas que estão por vir.
I`m back, girls, e prendam seus cabelos porque agora estou com uma vontade louca de correr muito!
Escrito por Juju às 22h59
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