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Um jeito de te levar a qualquer lugar que você queira, e ir onde o vento for
Era uma idéia antiga, um desses planos que começam a ser traçados devagar, com cuidado. Porque idéias boas devem ser executadas assim, com a atenção que se dá a uma criança. E o tempo foi passando daquele jeito esquisito que até hoje eu não sei como funciona: lento demais quando a gente precisa acelerar e como um furacão quando a gente PRECISA congelar tudo. Congelar e ficar admirando, olhando de fora e pensando como é que a gente chegou até aqui. Como é que essas pessoas fazem parte do ar que a gente respira todo dia, da comida que a gente põe na mesa, da música que ta tocando no rádio, das inúmeras células que se multiplicam na gente a todo instante. Como é que essas pessoas me fizeram crescer tanto? E agora taí, tudo se concretizando, as malas sendo feitas, os vistos, as passagens e uma data que podia ser qualquer uma, menos segunda-feira. Eu sei que o melhor a fazer é ficar feliz pelos amigos, e, acreditem, eu estou. Mas me dou o direito de ser egoísta e dramática e fazer perguntas tipo: pra quem eu vou ligar às 3 da manhã? Pra que casa eu vou com as cervejas debaixo do braço depois de uma festa falida? Quem vai furar fila no Fritz pra gente comer fondue? Quem vai falar inglês, francês, italiano, espanhol, baianês, paulistês e gauchês comigo? Quem vai me chamar pra ir ao BarraShopping num domingo chuvoso às duas da tarde e fazer tudo correndo pra não pagar $16 no estacionamento vip? Quem vai comer pizza na cobal? Quem vai comer quase o cardápio inteiro do Informal na mesma noite? É eu sei, falando assim parece que elas não vão voltar mais.... Maricana e Chantu: vocês vão fazer uma falta monstra... e eu fiquei completamente sem palavras, melhor abandonar esse texto e correr pra aproveitar esse fim de semana com as amigas mais maravilhosas que eu achei na vida. Obrigada por fazerem parte de mim tão intensamente. E mais uma coisinha: “Make your lives extraordinary!”
“Vou chegar atrasada e distraída / como quem saiu do trabalho e foi direto pro bar / Vou pedir um hi-fi inocente / e olhar toda hora pro relógio como se tivesse alguém me esperando em outro lugar / Vou rir bastante / manter uma ar distante / e esquecer quanto tempo faz / Vou perguntar pelos amigos / e se aceitar carona deixar cair um brinco no banco de trás” Martha Medeiros
e nem foi de propósito....
Escrito por Juju às 13h02
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Próxima música, por favor
Os dias estão lindos, a lua também e de acordo com a minha irmã ta todo mundo casando e engravidando. Psicologia da percepção. No meu mundo ta todo mundo cortando o cabelo e comprando máquinas digitais. E fazendo o que gosta, principalmente. E viajando pra longe, mas eu não quero falar sobre isso ainda.
E eu ocultei um detalhe essencial que fez toda a diferença pro fim da história (ou o começo?). No meio da conversa sobre o sonho do banheiro alagado a Vó Lia diz que isso significa dinheiro chegando. Eu achei que fosse mais uma coisa de Vó que diz maciota e não dei muita importância ao fato. E não é que aconteceu?! Vó Lia tem uma amiga muito generosa que deu a ela de presente de aniversário uma modesta quantia de dólares, pelo aniversário dela que foi dia 5 de agosto. Sábia a Vó Lia, não? Por via das dúvidas vou expandir meu vocabulário e começar a falar maciota.
E pensei em jogar na loteria, na sena, comprar uma raspadinha ou uma rifa. Não fiz nada disso porque a caminho da banca de jornal me deparei com uma multa grudada no vidro do meu carro ("no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho" Drummond nunca fez tanto sentido quanto agora). Eu, a pessoa mais careta e certinha do mundo multada. Isso feriu meu ego. Multada na rua porque o carro estava sem a porra do talão do vaga-certa. Só falando puta que pariu mesmo, eu fui multada por causa dessa raça maldita que eu tanto odeio. ODEIO. Sei que a gente não deve ter ódio no coração e toda aquela historinha de amar o próximo bla bla bla. E a humilhação maior é ter que subornar essa gente. Fui corrompida, entrei no esquema e me rendi a essa gente babaca pra salvar minha pele. Drama? Pode ser, mas é uma derrota ir contra os nossos princípios e eu to desmoralizada até agora.
Melhor não pensar nisso, melhor pensar no e-mail maravilhoso que me deu bom dia hoje. Vindo de Washington DC, diretamente do computador da minha querida prima Daphne. Eu sou fã de pessoas que tem um olhar novo sobre as coisas mais comuns. Admiro pra caramba quem tem sensibilidade pra surpreender pessoas e admiro mais ainda pessoas que fazem perguntas que me deixam pensando o dia inteiro. Por que que quando a gente conhece uma pessoa vai logo perguntando o que ela faz e a conversa cai na mesmice e no clichê? O que você faria com $50 no bolso e quatro horas livres? A próxima pessoa que me atropelar por aí vai ouvir essa pergunta. Isso se ela valer à pena, pros ordinários eu vou reservar aquela conversinha guardada no bolso.
E se isso fosse hoje eu ia encher o carro de livros e músicas e comidas gostosas e champanhe e ia pra Prainha. E talvez deixasse o banco do carona livre pra quem quisesse me acompanhar.
"Me diz o que é o sossego que eu te mostro alguém a fim de te acompanhar" * Nada como ouvir essa música de novo, nada como dançar com outro par pra variar, nada como um dia após o outro. Eu não sei o fim dessa história, e se ele já tiver acontecido já foi ponto pra mim. Me libertei das últimas amarras, me diverti pra caramba, enlouqueci um pouquinho e quero mais. As coisas estão só começando...
* Los Hermanos
uma obs. a aula de ontem acabou com o professor perguntando "tem alguém que não tá entendendo nada?". Ha ha, eu pensei. E me recolhi à minha insignificância, porque eu aprendi que devo ser humilde em determinadas situações...
Escrito por Juju às 12h09
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Enquanto isso, na faculdade (?) ,,,
I hope that someone gets my message in a bottle. E dentro dela vai ter um papelzinho escrito mais ou menos assim: eu não sei o que é, e nem me interessa saber. Dreamweaver, browser, tag, frame, asp? Não, obrigada, só por hoje eu não quero me render ao mundo virtual de sites e pixels. O endereço é Rua Saddock de Sá, UniverCidade, eu to na sala B 406, no computador do canto. E quem vier, por favor, que traga uma cesta de pic-nic e me leve pra qualquer lugar verde. Ou pra qualquer lugar cercado de água por todos os lados. E não me traz de volta até esse período ter se acabado por completo.
“... – e o sonho refresca.”
Respira fundo, reza e tenta não entrar em pânico Julia. Começa a sonhar agora. 1 2 3...
Meio dia e quinze. Que horas acaba mesmo?!
“Mas, já que não se pode fazer uso desse ceticismo, e aliás, por estar envolvido num conflito novo, - espero virar um louco muito perigoso.”
Trechos de Rimbaud, que está no meu colo, sendo lido no escuro da aula de computação gráfica 2...
Escrito por Juju às 12h29
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Algumas coisas corriqueiras...
Eu tenho tido sonhos muito estranhos. A Gabi acha que eu tenho super poderes, a Maíra deu de ombros. Primeiro foi na casa da minha vó, eu acordei feliz por ver que o banheiro dela não estava alagado como o meu subconsciente pensara durante a noite. E a vó Lia fez cara de assustada quando eu contei o que tinha sonhado, porque ela teve o mesmo sonho. Será que o banheiro dela vai alagar? Ou isso quis dizer que os encanamentos dela estão tinindo e não precisamos nos preocupar nunca mais? Isso foi sábado, hoje é terça e por enquanto a segunda hipótese se confirma. Segunda eu acordo mais feliz ainda, porque depois de uma breve verificada vejo que meus dois olhos ainda me pertencem. Minha mente produziu uma operação de miopia feita pelo meu ortopedista (?), que resolveu apenas tirar meu olho esquerdo e não devolve-lo mais, apesar da minha insistência. Pesadelo? Obsessão de míope? Medo de perder os óculos? Não sei, só sei que ao chegar do almoço avisto todos os exames ortopédicos que já fiz com o médico em cima da minha cama. Será que é sinal de que ele jamais arrancaria meu olho esquerdo sem me devolver? Ou que eu to precisando fazer uma consulta pra descobrir por que minhas costas doem? Será que eu sou sensitiva? Será que eu tenho os poderes de greyscow? Ou será que estão colocando substâncias alucinógenas no meu toddinho? Meu deus, será que é praga de alguém que me deu toddinhos uma vez???? ALGUÉM ME SALVA?!
A Lua lá no céu essa semana pedindo pra gente parar e admira-la um pouquinho, respirar fundo por um instante com uma trilha sonora imaginária ao fundo e depois continuar. Nessas horas eu agradeço por ser terráquea.
A trilha sonora imaginária acontece no meu quarto e no meu carro, Ella Fitzgerald com Louis Armstrong. Típico da lua no domingo. Típico do ritmo que eu to hoje, assim meio mole, assim meio lenta, assim meio deliciosamente preguiçosa. Alguém me acompanha?
Escrito por Juju às 14h54
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"Take these chances, place them in abox until a quieter time"
Domingo. 3 e pouco da tarde. Ligar duas vezes para a mesma pessoa e ela não te escutar é sinal de quê? Conseguir falar com essa pessoa e ela dizer que tem que trabalhar é sinal de quê? Enfim, eu continuo insistindo... Invento o pior trabalho de que se tem notícia, descubro que metade dos meus cds estão arranhados e mesmo assim não desisto. E lembro que AMO Sublime. E resolvo trocar de piercing, e perco por 10 a 0 pro soro fisiológico e começo a ter problemas sérios. E descubro que perdi o brinco que mais amo no mundo. Tento não pensar nisso, porque ano passado já perdi o anel que mais amo no mundo, e os dois objetos são made in England, lugar para o qual eu volto a todo instante, mas se formos levar em conta a parte física... Termino de ler o livro do Arthur Dapieve só pra descobrir o quanto escrevo mal. Como uma pizza inteira só pra descobrir o quanto preciso engordar. E vou pra festa mais hilária do planeta só pra descobrir o quanto tenho um caso de amor com a Marcelle. Marcelle é aquela amiga, pessoa incrível de quem sou amiga há tantos anos (bruscamente interrompidos e sensacionalmente recuperados, e é impressionante como o tempo passa rápido quando estamos emocionalmente imunes a ele). E não, as caipirinhas não são tão liberadas assim. E no caminho vamos ouvindo Dave Mathews, Ben Harper, Jack Johnson e Los Hermanos. E combinamos que nossa próxima viagem vai ser pra algum lugar onde tenha um show de algum deles. Mesmo que seja para o Arizona. Deal.
Próximo destino: casa da Danusa. E eu não deveria escrever mais nada porque meu estado alcoólico não é dos melhores. E eu não deveria querer mais nada porque tenho as melhores pessoas perto de mim, e eu não deveria pensar em mais nada porque estou feliz como há muito tempo eu merecia.
E definitivamente, se eu fosse uma música seria #41, do Dave Mathews. E ponto.
Escrito por Juju às 01h25
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