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... e aí não há sequer um par pra dividir...
Ai merda, fiquei carente. Eu sempre fico assim quando to muito feliz e empolgada com alguma coisa, fico querendo ter pessoas em volta o tempo todo pra ficar falando sem parar e rindo idem. E com essa chuva e com a constatação de que aquelas duas malucas não vão me ligar hoje tentando me convencer (em vão) de ir pra uma noite bombástica... E também o príncipe não vai vir aqui me trazendo chocookie, evitando assim que eu tenha que pegar meu carro pra ir até o posto e realizar essa tarefa. E definitivamente o cara da locadora não vai escolher um filme pra mim e trazer de surpresa na minha casa, evitando assim que eu tenha que vestir uma roupa decente pra ir até o Itanhangá. E nem a equipe do Starbucks vai bater aqui na porta com um carregamento de chocolate quente com creme. E nem se coisas estranhas começassem a acontecer a Liz ia estar na minha cozinha fazendo um jantar indiano e enchendo a casa de cheiro de curry.
Se o gênio da lâmpada aparecesse hoje eu confesso que três pedidos não seriam suficientes. Um deles seria um beijo, e que o dono do beijo me cobrisse antes de ir embora.
Eu sei, é aquela velha historinha que todo mundo sabe e ninguém quer mais saber. Eu nunca tô plenamente satisfeita com o que eu tenho porque no fundo eu sei que sou capaz de muito mais. Só por isso. E também porque hoje eu realmente queria alguém pra esquentar meu pé e minha noite.
obs. e nem São Longuinho vai se personificar pra achar o meu chaveiro com as chaves da minha casa e da filial que eu perdi dentro do meu próprio quarto... como é que se vive no meio de tanta bagunça? E como é que se vive sem chaves?
Escrito por Juju às 19h53
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"Mudar de alimento estimula o apetite."
“Quanta beleza na arte, desde que possamos reter o que vimos. Jamais ficamos então deserdados, nem verdadeiramente solitários, jamais sós.” Vincent van Gogh, em carta a Theo. Me apaixono por esse cara a cada página.
Como é bom o gosto de pessoas novas. E também os velhos amigos, esses caem sempre bem, independente da fome. Hoje mais duas debandaram para a Europa. Já são quatro. Minha caixa de e-mail ta ficando chic, só chegam notícias de Paris, Milão, Strasbourgh. Hoje eu to horrível, né? Quando eu fico feliz eu não escrevo nada de bom, eu espalho.
Escrito por Juju às 23h05
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It's been a hard day's night
Se eu tivesse forças pra descrever cada detalhe dos meus últimos dois dias eu faria. Tudo começou com a Clarinha, depois um telefonema, uma insistência minha, outros telefonemas, um “vem amanhã”, um endereço, um portão branco com um mosaico do lado, vasos enormes de cactos na frente, um jardim desses de sonho, uma casa dessas de sonho, um chefe desses de sonho, uma assistente dessas de sonho, um primeiro dia de trabalho fazendo compras no Fashion Mall, um segundo dia de trabalho no set de filmagem de um comercial da Brahma com o Zeca Pagodinho, cerveja, casa linda de novo, motorista (um mala sem alça, afinal de contas tem que ter alguma coisa azeda no doce) e lar doce lar. Nunca foi tão bom chegar em casa. E nunca foi tão bom me sentir útil de novo... pra quem ainda não sabe eu virei estagiária de figurino ontem. Espero que o encanto dure bastante, ou pelo menos o suficiente, já que o resto tá difícil...
Além de um moinho esse mundo é um ovo, porque as coincidências continuam acontecendo, apesar de não acreditar nelas. Por que que elas só acontecem comigo e nunca querem dizer nada? Ou sou eu que to entendendo errado?
Trilha sonora essencial para a escravidão do século XXI:
- A hard day's night, The Beatles
- Welcome to the Cruel World, Ben Harper
- O mundo é um moinho, Cartola
- Todo errado, Jorge Mautner e Caetano (tem a ver com a minha situação, acreditem e antes que vocês pensem besteira não, eu não me apaixonei pelo meu chefe e eu não pretendo fazer isso de novo esse ano, de repente na próxima década, só se não for muito arriscado...)
Escrito por Juju às 23h23
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“... ache belo tudo o que puder, a maioria das pessoas não acha belo o suficiente.” Vincent em carta a seu irmão Theo Van Gogh.
Diagnóstico das costas: praga? Não, eu não acredito nessas coisas. Por enquanto não é muito, apenas sintomas de algo que não decorei a palavra (discopatia talvez). Mas se eu demorasse mais podia ser o começo de uma coisa séria que envolve a palavra hérnia. Medo. Mas o que mais chamou a atenção do médico foi a minha escoliose repentina.
Constatações: existe uma causa para o fato de eu ser torta e hipocondria não é de todo ruim.
Possibilidades: de que eu não esteja completamente curada, de encontrar uma pessoa amanhã e concluir que a primeira possibilidade é real. Do coração bater muito mais forte do que eu queria. De não sentir absolutamente nada, de sentir raiva, de sentir só saudade, de ainda estar magoada, de ainda querer entender. Do que eu tenho medo afinal? De ter acabado tudo dentro de mim, ou de ainda estar tudo muito vivo?
Probabilidade: de ir embora pra longe. Não sei pra onde ou por que ou pra que ou se realmente quero. Mas dizem que temos que aproveitar as oportunidades e entrar pelas portas mágicas, não é?
Obsessão: Some Devil
Escrito por Juju às 16h56
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