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Peter Pan
Corri pro esconderijo onde as coisas mágicas estão bem seguras. E elas estavam ali, guardadinhas na caixa como há anos eu havia arrumado. Enfileiradas e um pouco apertadas, uma camada fina de poeira cobrindo as lembranças distantes dos tempos em que eu olhava pro alto pra ver os adultos. E os achava enormes, gigantes, se me distraísse podia ser pisoteada por um deles. Achava tão estranho aquela gente sempre com pressa. Pressa de que? Pressa pra que? O tempo começou a passar tão rápido desde que me tornei um deles e o que eu mais queria hoje era não ter essa pressa toda de chegar. Queria não ter de seguir cronogramas, não ter que marcar datas no calendário, não precisar de relógio, não ter sequer sido afetada pela invenção do despertador. Quando os ponteiros começam a girar rápido demais e eu começo a não dormir pra conseguir seguir todas as regras, quando eu começo a passar mais tempo sentada em frente a tela do computador que admirando montanhas e mares, quando eu começo a sentir as dores atacando a minha cabeça, eu fujo pra bem longe daqui. Passo a mão pra retirar o pó e deixo a música que sai da minha caixa tocar suavemente por alguns instantes. É uma melodia nostálgica, quase melancólica, de histórias e pessoas que passaram, de lugares e brinquedos que mudaram, de sentimentos e certezas esquecidos. Como um filme desbotado, aquela sou eu, determinada e confiante arrumando a casa para as minhas bonecas, desenhando personagens, subindo em árvores para alcançar as jabuticabas, inventando saltos e passos de ballet para o espetáculo em minha homenagem, pintando os olhos cuidadosamente enquanto me equilibrava nos saltos da minha mãe. E apavorada me encolhia na cama quando à noite os cães vira-latas de Penedo começavam a latir no jardim. E não botava os pés numa montanha russa, esperava todo mundo na volta, paralisada de medo daquelas manobras e loopings. Gostava de ter os pés no chão e a cabeça onde a minha imaginação me levasse. Imaginava tantas coisas que invariavelmente pensava na minha vida quando eu fosse adulta. Traçava meus planos, ia ser uma grande bailarina ou uma grande estilista. Não importava muito o que fosse, tinha que ser grande. Quem é que ensina essas coisas pra gente? Por que não nos ensinam a conservar nosso brilho? Por que não nos ensinam que ser criança é muito mais sincero? A gente cresce tanto pra cair no cinismo e no achismo, pra formar opiniões que não interessam ninguém, pra julgar e falar pelas costas, pra se contradizer o tempo todo, pra deixar de ser curioso e se entregar à preguiça. Pra contestar e continuar sentado, pra fazer análise, pra se queixar. É por isso que eu volto tanto pras minhas lembranças, pro gosto das frutas comidas no pé, pro pé descalço pisando na grama molhada, pra rede que quase me engolia, pros papéis coloridos com lápis de cera, pros collants e faixas rosas, pros cadernos de caligrafia. Eu volto pra tentar resgatar um pouco daquela essência que quase não existe mais, pra ver se aquela determinação e as certezas ainda podem ser minhas de novo. E sempre fecho a caixa com uma certa tristeza, porque alguma coisa ficou muito perdida. Talvez tenham sido os banhos de chuva e a ingenuidade que as cores traziam. Os dias sempre ficam claros demais depois de uma tempestade. É pena que eu não veja mais tantos arco-íris quanto antes.
Escrito por mim às 23h53
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Coisas que descobri - parte 3
Que meu blog merecia férias porque eu não consigo escrever nada lível;
Que se eu tiver que desenhar mais uma roupa essa semana eu juro que não vou ficar feliz (e eu tenho que desenhar mais umas quatro, ou seja, não se aproximem de mim);
Que eu quero trabalhar na Tecnopop, seja como estagiária ou servindo café, eu quero ser igual a eles quando crescer;
Que isso eu já sabia há um tempo, mas tentava me enganar (que tola!);
Que Trio de morango com chocolate até que é comível;
Que Trio de morango com chocolate é maravilhoso quando você está prestes a desmaiar;
Que eu odeio suor;
Que eu odeio suor mais ainda quando ele é meu;
Que meus trabalhos da faculdade são eternos;
Que eu to super atrasada neles;
Que eu só tenho mais 3 aulas pra terminar um deles;
Que eu tenho que fazer um filme de 1 minuto pra uma outra matéria;
Que a gente tem que reservar logo o equipamento e a ilha de edição da faculdade;
Que esses últimos 3 itens me fazem rir muito;
Que o riso é de nervoso, óbvio;
Que eu tenho que ir no MAM amanhã se eu quiser terminar alguma coisa;
Que eu quase nunca consigo terminar as coisas;
Que câmeras digitais comem a bateria;
Que a Rita me faz rir como poucas pessoas conseguem;
Que Friends idem;
Que eu não sei terminar esse post;
Que isso não é nenhuma novidade;
Que tem sempre um pensamento obsessivo escondido atrás da normalidade que é a minha vida, e que este está diretamente associado a sentimentos incontroláveis que eu não devia ter pelo alvo escolhido. And that’s why I’m going to strawberry fields.
:: ouvindo Beatles, The Magical Mystery Tour album
Escrito por mim às 15h34
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Quantos anos você tem?
So that’s it... descobriram meu segredo. Eu não sou flor que se cheire. Na verdade, se você quer levar uma vida tranqüila e sem sobressaltos ou traições fique longe de mim. Eu sou a cafajeste do conto do Nelson. Eu sou tão perigosa que as pessoas alertam as outras para que não sejam minhas amigas. Eu vou te fazer sofrer e chorar mais cedo ou mais tarde. Eu sou uma víbora em forma de gente, não sei agir com coerência e vou destruir seu lar. Embora eu pareça ter certos valores, é uma farsa. Isso é apenas pra atrair novas presas pro meu submundo e fazer delas gato e sapato. Oh please...
É por essas e outras que eu A-DO-RO Nelson Rodrigues. Um dia todo mundo trai, um dia todo mundo é traído. Eu já fiz a minha parte... Um dia todo mundo é criança, erra, prioriza outras coisas. Um dia todo mundo é adolescente imatura, e passa. É pena que pra algumas pessoas não...
(eu não resisti e eu definitivamente não tenho paciência pra esse tipo de coisa, sorry pra dona do comentário, que eu não vou dizer quem é... entrei no seu jogo, viu?!)
Escrito por mim às 15h19
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Nada acontece...
(saudade das minhas amigas queridas, até dói)
Escrito por mim às 20h56
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