O ano começou com promessas de amor eterno, entre outras que também se perderam em meio ao caminho confuso que foi 2004. Um dia você acorda com flores, e no dia seguinte com aquele cheiro podre, a água verde no vaso, as pétalas murchas no chão. Um dia você se olha no espelho, as calças caindo, as olheiras indisfarçáveis, a pilha de trabalhos que se acumulou sobre a mesa. Tem um dia em que a auto-piedade destrói tudo o que sobrou de você. É o dia que você começa a andar sozinha de novo. Quando você entende que pode amar uma pessoa sem precisar dela você começa a comer com fome, a beber com sede, a correr sem pressa e a se levantar com calma, a subir degrau por degrau.
E aqui estou eu. Preguiçosa e hipocondríaca como sempre, mais ácida, menos otária, mais confiante, menos medrosa, mais alegre, menos teimosa, mais observadora, menos calada, mais amiga, menos amante, mais experiente, mais objetiva e pronta pra todas as novas promessas que 2005 me traz. Sejam elas quebradas, ou não, que venham.
Obs. Coisa linda é ver do palco os aplausos, sejam eles sinceros ou somente solidários. As lágrimas foram borrando toda a minha maquiagem, as pernas ficaram bambas e os abraços foram os melhores que já recebi na vida. Eu gosto de viver com arte e com dança. Como se faz quando você tem que se despedir disso?