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Ah...
E o ano começa. Assim como uma nova vida que sai de dentro de uma nova pessoa que às vezes quase não se reconhece. O espanto diante de sua cara de pau e de suas investidas diretas naquilo em que acredita ainda a surpreendem, como se aquela garota boboca tivesse deixado seu corpo pra sempre e no lugar dela tivesse ficado uma mulher de verdade. São os bons ventos que vão espalhando um discreto cheiro doce por onde quer que ela passe, seja por entre as máquinas de costura ou pelas ruas inundadas de gente durante o carnaval que acabou sendo no rio. O que mais a encanta, porém, não são as lantejoulas nem as flores que ela vai vendo por onde anda, mas sim sua capacidade de continuar soprando esse vento de calmaria tão gostoso que por fim invadiu a sua vida.
“Minha garganta pede um copo d’água e os meus olhos pedem seu olhar.”
Escrito por mim às 12h03
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