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"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"
Ela estava lá no primeiro dia de aula com sua bermuda azul, a camiseta que levava o logotipo do Colégio Santo Agostinho, o óculos que era quase maior do que seu rosto, aquele de armação verde. O cabelo curto com um tic tac que talvez seja apenas fruto da minha imaginação, mochila e pasta como todos os outros detentos da prisão agostiniana onde passamos tantos anos. Ela estava lá no dia em que não quisemos ir brincar no Playcenter (!) e com certeza foi ela que puxou a conversa interminável que temos até hoje. Desde aquele dia ela não parou de falar nunca mais. Ela estava lá quando a correspondência ainda era por meio de cartas enfeitadas de adesivos e quando começamos a colecionar figurinhas da Copa de 94. Ela estava lá quando ganhamos a Copa de 94. Ela estava lá quando a Letícia quase nos matou dirigindo um carrinho de golfe desgovernado pela Isla Mujeres. Ela estava lá quando compramos calças coloridas da Guess que abotoávamos praticamente no pescoço, e ela também estava lá quando o cinema começou a fazer parte de nossos corpos, quase como um terceiro braço. Ela estava lá quando as coisas desandaram, e também estava lá um ano depois, quando resolvemos ser maduras e inteligentes o suficiente pra resgatar tantas lembranças e construir tantas outras. Ela estava lá quando o primeiro beijo aconteceu, ela estava lá quando o primeiro porre deixou a ressaca inesquecível, ela estava lá jogando mau-mau com dez cabeças debaixo da mesma barraca de praia. Ela estava lá quando óleo bronzeador inundou o livro de Biologia, ela estava lá quando a agenda do colégio virou um imenso livro de conversas trocadas durante as aulas de Religião, ela estava lá quando a chave não abria a casa, quando precisava emprestar seu ombro e quando precisava me chamar de idiota. Ela estava lá no primeiro arranhão do carro que só tinha uma semana, no show de horror dos videkês com direitos a vaia, nos fins de festa de Natal quando enrolava saco plástico nos pés, nos churrascos com o galerão. Ela estava lá nos vestibulares fracassados, nos sonhos que não deram certo e nas novas conquistas que estes permitiram atingir. Ela estava lá nos e-mails durante a viagem à Inglaterra, nos carnavais tediosos, nos castelos com bolas de fogo que nos faziam perder todas as vidas de Mario e Luigi, nas primeiras noitadas cheias de Flying horse com whisky e bolinhas de queijo (será?), nos cigarros escondidos e nas confissões no meio da noite. Ela estava lá nos filmes que a faziam chorar descontroladamente, nas trilhas sonoras que acabavam por contar parte de suas vidas, nas análises de toda e qualquer situação que a enfrentava. Ela estava lá nas primeiras decepções amorosas, na primeira desilusão. Ela estava lá no Reveillon em que compraram mais de 50 pães para o cachorro-quente, nas partidas de Imagem e Ação mais roubadas de todos os tempos, nas festas surpresíssimas, nos rolos, nas empanadas, nas macarronadas, nos pães na chapa, nas mules, nas cervejas e em quantas histórias que enchem agendas e vidas. Onde mais ela estava? Eu precisaria de uma vida inteira pra contar. O importante é que ela estava lá. Sempre. A pessoa certa na hora certa.
Celle, continue seguindo as estrelas!
Escrito por mim às 11h17
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