Edifício Master
Quatro meses depois, algumas impressões sobre Copacabana.
Tudo em Copacabana é irritante. A começar pela lenda de que o bairro abriga a praia mais bonita do Rio. A julgar pelo marrom das espumas que arrebentam, eu diria que o máximo que a praia oferece é a calçada com suas ondas. E até hoje acho que Drummond estaria melhor em outro lugar.
Tudo em Copacabana é cheio. De carros, de ônibus, de pedestres, de táxis, de camelôs, de lojas e de coisas antigas. Se a Lapa é o Soho carioca, Copa é Notting Hill do avesso.
Tudo em Copacabana é antigo. Não só os prédios, mas também os moradores e transeuntes do bairro. Lá existe a maior concentração de brechós de que se tem notícia, isso sem mencionar os antiquários e as lojas de recuperação dos mais diversos produtos. Em Copacabana a gente tropeça em relíquias, sejam elas em forma de quitandas (onde mais existem quitandas?), em forma de lojas especializadas em selas de cavalo ou em forma de vovôs e vovós que combinam bermuda xadrez, blusa de bolinha e chapéu floridono mesmo figurino. Sim, eles existem, sou testemunha ocular.
Tudo em Copacabana é lento. O trânsito, as filas, as pessoas.
Tudo em Copacabana é claustrofóbico. Atravessar a rua pode ser uma das experiências mais aterrorizantes do mundo. A quantidade de pessoas andando em direção contrária à sua é comparável ao volume de gente em Londres. Dá medo, eu tenho que me espremer e chegar ao lado oposto da rua é uma vitória aliviante.
Tudo em Copacabana é feio e cheira mal. Não só a Lapa, mas Copa também devia ser aromatizada.
Tudo em Copacabana é caótico, e qualquer pessoa que gosta de sossego e paz perde a calma em meio aos corredores de prédios e à fauna humana que vai e vem. Por alguma dessas razões esquisitas, ou até mesmo sobrenaturais, o bairro me lembra Londres em diversos aspectos. A confusão, o tumulto, as antiguidades, as pessoas, as lojas, os cantinhos escondidos, a sujeira, os carros, os sinais entupidos. Por questões de sobrevivência e de manutenção da sanidade mental eu acabei criando alguns laços afetivos com o bairro, talvez pelas associações à cidade inglesa que eu tanto gosto, talvez por ter me convencido de que ter humor salva, talvez por ter descoberto o kitsch, que por si só já é bem humorado, enfim...
Tudo em Copacabana é um inferno e tudo me leva a crer que, salvo as restrições e guardadas as devidas proporções, é a Londres Carioca. Pena que não é...
Escrito por mim às 22h39
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Sobre músicas
“Jealous Guy” e “A Day in the life” são provavelmente as músicas mais lindas vindas do Reino Unido, compostas por ninguém menos que John Lennon e a segunda pelo casal Lennon e Paul MacCartney.
“Time” do Pink Floyd também me tira do sério.
Sgt Pepper’s (o álbum) acaba de entrar na minha top five list.
Hoje no supermercado eu parei só pra ouvir a nova do Coldplay. O show do Coldplay foi um dos mais alucinantes dos últimos tempos. E a melhor música deles é “Amsterdam”. E “Clocks”, óbvio. E “Trouble”.
Duetos me arrebatam. O disco Elis e Tom me deixa sem fôlego, o disco Ella Fitzgerald e Louis Armstrong me deixa sem chão, O disco de “O Grande Circo Místico”, composto pelo Chico e pelo Edu Lobo me deixa sem forças, Stan Getz e João Gilberto me deixa sem razão e o Frank Sinatra cantando “Fly me to the moon” com o Tom... putz!
Caetano cantando “Billie Jean” é TU-DO!
Rolling Stones vem para o Brasil e dessa vez eu não vou perder!
Nativa FM conseguiu piorar (old Murphy já dizia)... contratou a Moniquinha, que se refere a ela mesma como Moniquinha, o que já me dá nos nervos por si só. Tenho horror a isso. Síndrome de Pelé.
Los Hermanos depois do autógrafo do Camelo é ainda mais emocionante, apesar de eu ainda não saber muito bem o que fazer com o autógrafo...
E por último: Roberto Carlos é o rei!
Escrito por mim às 00h12
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