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Tecle 9 paa matar
Eu quero falar com um dos atendentes, de preferência com aquele que estabeleceu todas as regras capitalistas desse mundo. Longe de qualquer inclinação comunista, socialista, stalinista, leninista, trotskista ou outra ideologia política. Não quero discutir uma maneira de salvar o mundo, não acho que devam ser construídos centros operários comunitários e definitivamente não sou engajada em questões deste naipe. Só gostaria que a pessoa que criou as regras revisse seus conceitos. Quem quer que tenha sido o ser determinante da carga horária de oito horas de trabalho, tenha sido um ele ou uma ela, de fato, era uma pessoa infeliz. E mais de fato ainda, era uma pessoa vizinha de seu local de trabalho. O que por sua vez nos faz concluir que era egoísta, pois não pensou nas pobres criaturas vindouras que não teriam sua mesma sorte, e que, separadas pelas distâncias e pelo trânsito da cidade, teriam de acrescentar (ou perder?) mais três horas em sua rotina trabalhista. Somam-se onze horas. Uma pessoa que dorme em média 7 horas por noite, já tem contabilizadas 18 horas das 24 disponíveis. Sobram seis horas, as quais destinam-se aos imprevistos como: a sua chefe não ter acertado a quantidade de tinta bege que deveria ter jogado na panela ou o tiroteio em algum morro próximo ter dado um nó maior ainda no trânsito ou você ter que passar na Copiadora Leblon para imprimir um trabalho de faculdade (ainda tem essa) ou você, pessoa normal e contemporânea, ter que ligar praquela amiga pra contar a novidade (que nesse caso é a sua chefe ter acertado o tom de verde da blusa Graça), enfim... Eu quero falar com o responsável por esse modelo de vida escravocrata e exaustivo. Quero dizer que eu não concordo, e que quero mudar para o plano light.
Correto senhora, estaremos transferindo para o setor responsável.
Alguém me deixa ir embora, eu quero sair.
Escrito por Julieta às 20h07
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My kind of wonderful
Entre mortos e feridos, salvaram-se todos.
Eram mais ou menos sete da manhã de sábado quando eu finalmente deitei a cabeça no travesseiro depois de uma festa inesquecível, daquelas tipo hei hei que onda, que festa de arromba e que rendem mil histórias pra contar. E depois de um banho quente que me tirou os resquícios físicos da noite (pé e canelas pretos, sapato idem).
Caipirinhas à parte, o que se viu foi uma mulher maravilhosa, capaz de adoçar a vida de muita gente, e de reunir essas pessoas numa celebração pra lá de especial. Um monte de gente animada se jogando na pista de dança improvisada, amigos e amigas que se abraçavam a todo momento (com imensas razões para isso), flores que caíam do teto como uma chuva daquelas de lavar a alma, comidinhas pra tentar conter os efeitos da cerveja e do champanhe clandestino na cozinha, um barman que parecia ter dez mãos ao mesmo tempo, música de ótima qualidade, sorrisos, gargalhadas, um bolo delicioso que foi sendo devorado para os que resistiram até o fim, meia dúzia de gatos pingados espalhados pelo sofá enquanto a luz do dia começava a invadir a sala, 93 fotos de uma pessoa insandecida que não parava de disparar flashes e uma ressaca no dia seguinte, daquelas que deviam ser obrigatórias pelo menos uma vez por mês.
Preciso dizer mais?
Escrito por Julieta às 22h10
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