| |
Basta dizer que te chamo
“se a gente já não sabe mais rir um do outro meu bem então o que resta é chorar e talvez, se tem que durar, vem renascido o amor bento de lágrimas.” Rodrigo Amarante. My love.
É preciso ser cínico pra continuar preenchendo formulários onde você tem que assumir que é brasileiro, e, pior, carioca. Como já afirmei aqui e no orkut, não sou moça de visão política, portanto deixemos de lado as safadezas e falemos de coisas que valem.
Vale, antes de tudo, assumir suas verdadeiras paixões, e quando se tem várias, melhor ainda. Foi como disse a mocinha de nossa história quando seu sapo encantado perguntou-lhe o que ela gostava nele, além de sua bunda, tão enfaticamente elogiada minutos antes. Ele queria saber de coisas mais concretas. O fato de ter uma bunda gostosa não lhe bastava, visto que qualquer ser humano poderia, facilmente, enquadrar-se nesta característica. Ela citou sua voz, que ficava ainda mais atraente por causa de tranqüilidade e a falta de pressa que sua calma imprimia. Ele ainda não estava satisfeito. “Gosto da sua paixão pelas coisas, e do fato de você ter um caso de amor com elas.”. Ele sorriu intrigado. Ficara satisfeito? Queria ainda mais uma explicação. Ela desvencilhou-se de seus braços. E foi dizendo, com seu jeito meio atrapalhado, que gostava de gente que assumisse seus arrebatamentos por coisas, por músicas, por livros, e que, principalmente, vivesse essa relação intensamente. E acrescentou que quando a paixão do outro era do tipo que se pega como gripe, então era porque o amor entre o apaixonado e seu objeto era verídica, compromissada e ainda mais interessante. No fim das contas, concluiu que não bastava gostar de Gabriel Garcia Marques, era preciso namorar seus livros. Não era suficiente gostar de Cartola, era preciso noivar com ele. E por assim vai. O moço consentiu, estava mais do que satisfeito, estava até orgulhoso de si mesmo.
Por que então ela soltou-se de seus braços? Paixões incompatíveis? Como diria Chicó: não sei, só sei que foi assim.
Das pequenas coisas revoltantes: Vovô Copacabanesco cantando músicas que enaltecem o César Maia para sua neta de 5 anos. Filha do porteiro dizendo para o cachorro recém nascido: Deus te abençoe! Repetidamente. E mais: Domenico Lancelotti ter uma mulher que não sou eu.
Achado do mês e paixão pra vida inteira: o cd do Domenico Lancelotti com Moreno e Kassin.
Pessoa que não está lendo: “se você não vier, não vai saber”.
Escrito por Julieta às 22h11
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|