Sobre lugares
Escrevo esse post depois de um banho que certamente não tirou toda a poeira adquirida nos últimos 3 dias. Poderes mágicos não teriam hora melhor para serem possíveis que em tempos de mudança. Era só jogar o pó de pirlimpimpim e os metros inacabáveis de tecido se reduziriam a pequenos e leves retalhos, assim como o resto de coisas incontáveis que cabem dentro de poucos metros quadrados.
Enfim, mudamo-nos.
Deixamos o muquifo Copacabanense e fomos encarar o Centro da Cidade. Copacabana era o mundo das coisas perdidas e antigas. O Centro é o mundo das coisas. O Saara é apenas o mundo. Dada a quantidade de gente que transita pelas ruas estreitas eu diria que 1/3 da população mundial se espreme nas ruelas sujas da maior concentração de lojas, camelôs e recintos comerciais. Outro terço está em Copacabana e o restante está no trânsito tentando chegar a um desses lugares (eu fico na pequeníssima minoria que está sempre tentando sair de ambos).
A mudança transcorreu como devia: caótica e em pleno sábado. Muitos homens fortes esbaforidos subindo uma estreita escada de um sobrado, carregando máquinas, mesas, caixas, tecidos. Na esperança de oferecer alguma coisa a estes pobres carregadores, me aventurei no botequim da esquina para comprar água para os coitados. Cena de filme. Take 1: botequim pé-imundo. Take 2: videoquê no botequim. Próximos takes: homem com dor de cotovelo aparente soltando a voz, mulher gorda com roupa justa e sombra azul no olho chorando de emoção resolve juntar-se ao homem e juntos fazem um dueto dos mais fascinantes que já escutei. Isso é Centro da cidade em sua melhor apresentação. Cena de beira de estrada no Largo de São Francisco.
Domingo de passeios por Santa Teresa. Estou apaixonada por Santa Teresa. Quero morar em Santa Teresa. Quero escrever um post só sobre Santa Teresa.
Segunda-feira de trabalho em casa nova. Uma bagunça sem precedentes. Poeira em cada entranha. Calor em cada poro. Irritação em cada renda perdida dentro de um milhão de caixas. A boa nova é que não tenho mais a duvidosa missão de subir a Siqueira Campos correndo com roupa na mão enquanto o moço do Correio me espera com a porta fechada, portanto não corro mais o risco de morrer atropelada ou atingida pela pistola que prega etiqueta nas peças. Agora o máximo que pode acontecer é rolar escada abaixo. Hoje eu só torci o pé. E querem saber? A Agência dos Correios da Rua dos Andradas só fecha às 6 da tarde. É claro que já somos buddies do funcionário, e pra gente a festa só acaba às 6 e meia.
Nossa nova casa é linda. Um sobrado típico, com janelões e varandinhas. Vai ficar melhor quando estiver realmente habitável. Por enquanto está apenas enlouquecedora.
Obs. Nunca mais vão me faltar coisas de qualquer espécie. O Saara tem tudo, desde vendedores gritando em seus microfones as promoções do dia até temperos raros para os pratos indianos que eu nunca fiz, passando por pilhas para meu discman devorador delas e cds a preço de banana que vão gravar todas as músicas lindas que lotam minha caixa de e-mails todos os dias.
Obs 2: músicas lindas que lotam minha caixa de e-mails todos os dias: não deixem de chegar!
Obs 3: cd novo do Los Hermanos: ai ai...
Escrito por Julieta às 00h05
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