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Quando o inverno chegar (SE o inverno chegar...)
A vingança vem em forma de ventilador. Quer irritar alguém? Compre-lhe um ventilador. Não importa o calor que se sinta, um ventilador não torna a situação mais fácil. Nem mais confortável. Muito menos mais refrescante. Estava a moça concentrada na impossível missão de não derreter. Seus pés em cima da mesa, inchados, seus dedinhos vermelhos. Suas mãos suadas, tentando segurar com firmeza a tesoura que a essa altura queria escorregar de seus dedos. A bermuda inteiramente grudada em suas nádegas e pernas. A moça já pensava num jeito de conseguir tirar sua vestimenta quando chegasse em casa. Procura mover-se o mínimo possível para não incentivar a produção de suor em seus poros esbaforidos. Toca o telefone. É a guria do sul. A guria diz que lá em Chapecó fazem 9 graus. Nove graus. Inconformada, a moça implora à sua chefe que vá à primeira loja de utensílios plásticos e compre uma piscina. Poderia cumprir todas as suas tarefas, desde que submersa em água. Era no mínimo um erro de cálculo do criador que em um estado do país fizesse 9 graus enquanto que ela desfalecia ao som do pagode da Nativa FM e do caos em forma de comércio no Saara. Era uma injustiça, na verdade. Foi quando seu chefe resolveu comprar ventiladores. A moça continuou com os pés inchados, as mãos suando, a roupa grudada. E agora tinha também o cabelo pra cima, a lente ressecada e a difícil tarefa de recolher todos os papéis e rendas e fitas de cetim que voavam pelo atelier. Não dá pra ser feliz no Saara sem ar condicionado. Ou sem ser água, pra ficar dentro da geladeira. Calor é uma merda. Mas ventilador é sacanagem.
:: “I'd like to hire a plane.I'd see you in the morning, when the day is fresh.”
Pedido para o gênio da lâmpada: frio.
Escrito por Julieta às 23h38
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