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Murphy explica
A pessoa tira um quelóide da orelha direita e aparece um cisto (ou quisto?) sebáceo na orelha esquerda.
A pessoa compra um roteador wireless, o cara instala e agora não funciona nem o wireless nem o com wire.
A pessoa encharca os pés com a água que não para de pingar no automóvel. Primeiro era uma água escaldante, agora ela é morna e verde. O carro é um aquário e Bob Esponja é o mais novo amigo da moça que precisa de bóias para dirigir. O Procon diz que se em 30 dias úteis o problema não se resolver, a pessoa pode entrar com uma ação pra pedir um novo veículo. E lembra que o mesmo é um órgão conciliador, portanto a vitória não é garantida. Resta ainda a chance de entrar na justiça. E se tudo falhar ela tem duas opções: assumir sua nova identidade de little mermaid. Ou comprar um material de mergulho. A moça conta 16 dias úteis enquanto anuncia seu carro-barco nos classificados.
John e Paul tinham razão: we all live in a yellow submarine. Se não são todos, eu vivo, não resta dúvida.
Escrito por Julieta às 23h01
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"Guarde um sonho bom pra mim"
Show do Los Hermanos não tem como ser ruim. Mas depois de 5 shows espetaculares da banda, algumas coisas mudam, a começar pela necessidade de ficar perto do palco. A dignidade aumenta quando você sai do meio do aperto e consegue um espaço para dançar, pular, respirar e ter a opção de levantar os braços no momento em que bem entender. Nas andanças para achar um ponto estratégico, algumas figurinhas que precisam ser comentadas. Number one. Usava uma roupa preta, colar de bolas branco, passava de seu peso ideal e chamava atenção por três motivos principais: seu cabelo meio dreadlocks, sua maquiagem vanguardista e duvidosa e sua capacidade inesgotável de gritar a todo pulmão por qualquer motivo. Tivesse visto a figura passeando na rua, diria ser uma mistura de fã do Bob Marley com heavy metal. Mas ao cair das luzes seus ruídos sonoros aumentaram de maneira que não deixava dúvidas: fanática pelos barbudos. Bem perto um casal. A menina estava escondida no abraço do rapaz, que beirava os 16 anos, vestia camiseta amarela, colar de contas e cabelo de caracóis bem assim tipo Dibob. Mas quando os Hermanos pisaram no palco... fãzocas. Perto dali passava um grupo de amigos. Eram 5 ou 6. Todos com cara de 13 anos recém completados. Loiros com cabelos cuidadosamente bagunçados e franjas estrategicamente caídas sobre os olhos. Estivessem passeando na rua seriam logo chamados de Backstreet Boys Cover ou N Sync maníacos. Mas dado o fato de que caminhavam cada vez mais em direção ao palco eu diria que aos primeiros acordes de “Dois Barcos” os boybands devem ter ido à loucura. Um pouco afastada, estava a que mais chamou atenção. Objeto de estudo da minha curiosidade e pessoa fadada ao estudo psíquico, a garota não tinha como passar despercebida. Saia preta, cabelo comprido, jaqueta amarrada na cintura. Batia palmas no alto ao final de cada canção, entoava os hinos Los Hermanescos de olhos fechados e pareceu entrar em êxtase com inúmeras músicas. Normal, você diria. E eu concordaria, não fosse a tal menina uma criança de 9 anos de idade. NOVE ANOS. Salve a beleza das coisas, a democracia da música e a precocidade de alguns. Ou não.
Algumas observações:
Inútil Camelo cantar “O Vencedor”. O público sufoca sua voz. Idem Amarante para “Quem Sabe”. Mais inútil a platéia pedir “Pierrot”. Música chata pra burro. Camelo errando “Conversa de botas” foi lindo. “Sentimental” fica cada vez maior e melhor, um dia não vai acabar nunca mais e eu vou me emocionar até morrer. “A Flor” continua sendo... Foda.
Escrito por Julieta às 23h21
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